Interferência solar pode atrasar voos até dia 24

Alinhamento do Sol com antenas e satélites usados na comunicação entre os aviões e o controle aéreo deve causar dificuldades das 14 às 15 horas

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2010 | 00h00

Os atrasos em voos que já atormentam a vida dos passageiros podem ser intensificados de hoje até dia 24. Técnicos da Aeronáutica identificaram aumento da probabilidade da formação de "sombras" provocadas pelo alinhamento entre o Sol, as antenas e os satélites usados nas comunicações de rádio entre os aviões e o controle de tráfego aéreo.

Por motivos de segurança, a Aeronáutica informa que poderá ser obrigada a adiar decolagens caso sejam verificadas "sombras" ao longo das rotas. Elas têm o poder de interferir na comunicação entre os controladores de voo e os pilotos. Projeções feitas por técnicos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indicam que as "sombras" sobre o sistema de rádio podem ocorrer com mais frequência de hoje até o dia 24, sempre entre 14 horas e 15 horas. A duração varia de 3 minutos a 16 minutos.

A interferência solar, aliás, pode ser notada facilmente pelas pessoas, ao contrário do que se poderia imaginar. Ela causa, por exemplo, travamento e congelamento de imagens nas transmissões via satélite.

Ontem, as empresas aéreas brasileiras, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) foram notificadas sobre o fenômeno. A ideia é que, de hoje até o dia 24, os passageiros sejam informados sobre a probabilidade de atrasos em voos por meio do sistema de som dos aeroportos.

O alinhamento entre o Sol, os satélites e as antenas é monitorado periodicamente pelo Decea. Tradicionalmente, o fenômeno tem maior incidência nos meses de março e setembro. Sempre que as projeções indicam aumento da probabilidade de formação de "sombras", a Aeronáutica comunica as autoridades do setor aéreo para que adotem medidas para evitar transtornos.

Rádio. Mesmo com o aperfeiçoamento das telecomunicações aeronáuticas nos últimos 20 anos, a base do controle do tráfego aéreo continua sendo por voz. Para se ter uma ideia da importância do sistema de rádio, uma aeronave pode até levantar voo sem que seja monitorada pela rede de radares, mas nunca sem que a possibilidade de diálogo entre pilotos e controladores esteja assegurada.

Nas viagens intercontinentais, por exemplo, os aviões atravessam oceanos sem que os sistemas de controle de voo consigam visualizá-los na tela do radar. O sistema de rádio, no entanto, funciona ininterruptamente.

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