Instituto doará beagles que forem recuperados

Segundo a polícia, eles ficarão inicialmente sob a proteção de grupos de defesa dos animais; Câmara terá comissão para apurar maus-tratos

José Maria Tomazela / SOROCABA, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h04

O Instituto Royal, que foi invadido no dia 18 por ativistas de defesa dos direitos dos animais, vai doar os 178 cães da raça beagle levados pelos manifestantes, caso eles sejam recuperados pela polícia e devolvidos à instituição.

De acordo o diretor científico João Antônio Pegas Henriques, os animais eram submetidos a testes com antibióticos e outros medicamentos e não há como recuperar o tratamento, considerado perdido. Segundo Henriques, as normas do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) preveem a doação de animais utilizados em testes.

Em nota, o Instituto Royal esclareceu que os animais só vão para doação depois de serem recebidos pelo instituto, ou seja, após a liberação pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual. Antes de serem oferecidos, os animais receberão tratamento veterinário.

O delegado de São Roque, Marcelo Pontes, afirmou que, se forem recuperados, os cães furtados não serão levados diretamente para o instituto, mas colocados sob a guarda de entidades de proteção aos animais. Os cães serão submetidos à perícia para subsidiar inquéritos que investigam tanto denúncias de maus-tratos quanto de crimes decorrentes da invasão do instituto. Só após a conclusão do inquérito sobre os maus-tratos será decidido o destino dos cães.

Dos animais levados da clínica, apenas duas fêmeas foram localizadas, ainda no sábado. Elas estão sob a guarda da advogada Viviane Jorge Benini Cabral, que assinou termo de depositária fiel. Ela acompanhava o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que esteve na delegacia.

Investigação. O delegado Pontes começa a ouvir nesta terça-feira, 22, os funcionários do instituto sobre a invasão do local e a depredação, ocorridas na sexta-feira. Os depoimentos seriam tomados nessa segunda, 21, mas os funcionários não foram localizados porque o instituto continua fechado.

De acordo com Pontes, a investigação vai apurar as denúncias de maus-tratos contra os animais e também os crimes de furto qualificado e de danos ocorridos no local. "A ação ocorreu no período noturno, o que agrava os crimes", afirmou ele.

Depois que os funcionários do Royal forem ouvidos, os participantes da ação - entre eles os ativistas que foram à polícia denunciar maus-tratos contra os animais, na noite de quinta-feira, quando montaram acampamento na frente do instituto - serão intimados a depor. A apresentadora e ativista Luísa Mel está entre as pessoas que serão indiciadas pela invasão, segundo o delegado. "Estamos levantando as identidades pelas filmagens feitas no local e pelas redes sociais."

Brasília. A Câmara dos Deputados também vai instalar hoje uma comissão especial para investigar denúncias de maus-tratos no Royal.

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