Instituto diz que há 'evidências' de racionamento de água em São Paulo

Idec enviou carta para agência reguladora de saneamento com quase 500 relatos de cortes no abastecimento; Sabesp nega prática

Fabio Leite, O Estado de São Paulo

30 Julho 2014 | 21h24

SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou nesta quarta-feira, 30, uma carta para a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) afirmando haver "evidências de que está ocorrendo racionamento de água em São Paulo". A agência investiga desde maio a suspeita de que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) esteja fazendo rodízio noturno ao reduzir a pressão da água na rede durante a madrugada, conforme o Estado revelou há três meses. 

Segundo o Idec, a campanha "Tô sem água", lançada no dia 26 de junho, recebeu 494 relatos de cortes no abastecimento até o dia 28 deste mês, uma média de 14 por dia. Entre os participantes, 73% afirmam que falta água uma vez por dia. Para 74%, as interrupções ocorrem à noite. "Ou seja, está evidente que o racionamento está ocorrendo, por isso, acreditamos que os dados serão extremamente importantes para ajudar a Arsesp concluir o mais rápido possível a investigação”, afirma a advogada do Idec e responsável pela campanha, Claudia Almeida. 

De acordo com a campanha, as regiões mais afetadas com a falta de água são: zona oeste (27%), norte (23%), sul (18%), leste (24%) e Grande São Paulo (8%). Do universo de participantes, 57% disseram ter percebido comprometimento na qualidade de água. O Idec informou que também enviou a carta para a Sabesp, responsável pelo abastecimento de 18 milhões de pessoas na Região Metropolitana, sendo 100% da capital, e para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). A campanha termina nesta quinta-feira. 

Em nota, a Sabesp afirmou que "a amostragem da pesquisa está longe de retratar o universo de clientes atendidos pela companhia", uma vez que a companhia é responsável pelo abastecimento de água de cerca de 6,7 milhões de domicílios na Grande São Paulo, ou 18 milhões de habitantes. "A base de amostragem da pesquisa não é representativa e não permite uma análise estatística dos dados, uma vez que representa apenas 0,003% da base de clientes atendidos pela Companhia". 

"Diferentemente do que diz o Idec,  a Sabesp não registra em 2014 um aumento no número de queixas dos moradores sobre falta d´água em comparação com o ano passado", afirma a concessionária. Segundo a empresa, em maio, foram 39.454 queixas em 2014 contra 47.617 de 2013, queda de 17,14%). Em junho, 31.089 neste ano contra 33.122 no ano passado, -6,14%. "Isto posto, não é possível inferir que 494 reclamações caracterizam falta d’água generalizada na Região Metropolitana".

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