Instituto de Educação: 80 anos de compromisso com a formação

Quando falamos da história da criação da USP, imediatamente vem à mente a reunião das Faculdades de Direito, Medicina e Engenharia. A alguns ainda ocorre lembrar a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). As demais, como Farmácia e Odontologia, Veterinária, Escola Superior de Agricultura, entre outras, caem no esquecimento. O mesmo ocorre com o Instituto de Educação. Criado em 1933, em substituição à Escola Normal Caetano de Campos, associava à instituição a Escola Secundária, além do Jardim de Infância, da Escola Primária e da Escola de Professores. Pela primeira vez em São Paulo, a formação para o magistério era feita em nível superior. Em 1934, quando foi integrado à USP, tornou-se a primeira instituição universitária no Brasil que preparava professores para atuar nas escolas primárias e secundárias, o que equivale hoje aos ensinos fundamental e médio.

BELMIRA BUENO e DIANA VIDAL, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2014 | 02h06

Desde os primórdios, a USP exibiu notável compromisso com formação docente e educação básica. Esse compromisso se expressou de modos diferentes ao longo desses 80 anos. As mudanças de denominação pelas quais passou a célula responsável pelo preparo dos futuros professores refletem, em parte, as alterações operadas nas concepções pedagógicas e na atuação institucional. A Escola de Professores do Instituto de Educação deu lugar em 1938 às seções ou cursos de pedagogia e didática da FFCL, antecipando as alterações que ocorreriam em todo o País em 1939. Com a medida, a formação profissional, tanto da Pedagogia quanto das demais licenciaturas, perdeu a dimensão prática e investigativa do ensino somente recuperada em 1957, com o Colégio de Aplicação.

A década de 1950, aliás, permitiu o nascimento de outra instância de pesquisa e formação para o magistério na USP, o Centro Regional de Pesquisas Educacionais (CRPE). Instalado no câmpus do Butantã em 1956, ofereceu as condições necessárias ao acolhimento do curso de Pedagogia na Cidade Universitária em 1962. Dedicado a prática e experimento de inovações educacionais no ensino primário, o CRPE manteve classes experimentais, origem da Escola de Aplicação. O Colégio de Aplicação foi extinto em 1969. A Escola de Aplicação aos poucos incorporou os demais níveis de ensino, tendo hoje a configuração completa da escola básica. O CRPE paulatinamente se integrou à Faculdade de Educação, denominação que surgiu apenas em 1969, no âmbito da reforma universitária.

O ensaio de novos métodos e a investigação sobre a realidade educacional brasileira foram marcas desse período que culminou com a criação, em 1971, do Programa de Pós-Graduação da FEUSP. Iniciado com mestrado, a ele se acrescentou o doutorado em 1978. A formação de professores para atuar na escola básica ampliava-se com o preparo de docentes para o ensino superior. Desde então, foram defendidas 1.199 teses e 1.387 dissertações.

A Faculdade de Educação e a USP partilham de uma origem comum, refletida no episódio narrado por Antonio Candido. Em 1935, Julio de Mesquita Filho se queixava do pequeno número de inscritos na FFCL. Fernando de Azevedo então fez a seguinte proposta, acolhida por Armando Sales de Oliveira: comissionar professores públicos para assistir como alunos às aulas. A medida deu certo na avaliação de Candido, recebendo "um contingente importantíssimo de alunos dos quais saíram alguns dos seus mais brilhantes professores".

Ao comemorar 80 anos, a USP é instada, mais uma vez, a olhar o passado, compreender o presente e antecipar o futuro. Nesse movimento, reafirmar seu compromisso com a escola pública básica de qualidade, sobretudo pela investigação acadêmica na arena educacional e a insistência na formação inicial para o magistério, impõe-se como necessário. Assim como necessário se faz ampliar as formas de acolhimento de professores em exercício, oferecendo-lhes oportunidade da formação contínua. Essas foram preocupações que animaram a criação da USP e, ainda hoje, confirmam sua importância.

BELMIRA BUENO É DIRETORA DA FEUSP

DIANA VIDAL É VICE-DIRETORA DA FEUSP

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