Instalação das UPPs de Santa Teresa foi feita às pressas

Ocupação tem duração média de 38 dias, mas lá foi em 19; para governo do Rio, cronograma pode ter causado problemas

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2011 | 00h00

A pressa na instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades do entorno de Santa Teresa, no centro do Rio, já é apontada pela Secretaria de Segurança fluminense como uma das causas para problemas na região. O tempo médio entre a entrada do Batalhão de Operações Especiais (Bope) nas favelas e a instalação das UPPs é de 38 dias. Em Santa Teresa, o intervalo foi de 19 dias.

Foi na UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro que a secretaria identificou um esquema de pagamentos de propina de traficantes a policiais que atuavam na unidade. Episódios de violência também se repetem. No sábado, um PM da mesma unidade foi baleado e ficou tetraplégico. Em junho, outros três policiais ficaram feridos - um deles teve uma perna amputada -, depois de um confronto em que criminosos arremessaram uma granada.

A crise na UPP já é tema de debate na secretaria e faz parte de estudo em elaboração. "A gente está fechando esse estudo. Talvez (o Bope) tivesse de ficar mais", disse o secretário de Seguran, José Beltrame, ao Estado.

Cronograma. A pacificação da Coroa, Fallet, Fogueteiro e das demais favelas de Santa Teresa também foi marcada pelo anúncio antecipado da operação feita pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). Em janeiro, depois que um tiroteio na favela de São Carlos resultou em tiros que quebraram as vidraças da prefeitura, Cabral disse que uma UPP seria instalada na comunidade e em todas as outras do entorno de Santa Teresa.

Dez dias depois, em 6 de fevereiro, o Bope entrava em ação. No dia 25, a secretaria inaugurava as UPPs.

Para o antropólogo e ex-capitão do Bope Paulo Storani, o pouco tempo de permanência da força de intervenção da PM fluminense pode explicar a permanência de criminosos no território que deveria ter sido pacificado com a UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro. "Mesmo que tenha sido empregado efetivo maciço, o tempo é muito curto para identificar os locais de operação do tráfico e afastar os criminosos."

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