Inspeção veicular na capital começa em 120 dias

Van com sensor vai flagrar veículo que polui em excesso para estimular regulagem

Alexssander Soares,

13 de junho de 2007 | 15h44

O programa de inspeção veicular em São Paulo sairá do papel até outubro, quando uma van com sistema de sensoriamento remoto ficará estacionada em diferentes pontos da cidade, monitorando a emissão de poluentes pelos veículos. O projeto faz parte da segunda fase do programa Cidade Limpa, do prefeito Gilberto Kassab (DEM).   A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente quer identificar veículos altamente poluidores e estimular os donos a fazer os ajustes necessários antes do início da vistoria, em maio de 2008.   Mas a questão do custo da inspeção, de R$ 52,89, ainda não foi resolvida. O pagamento será obrigatório para donos de veículos emplacados na capital a partir do licenciamento de 2008. Tributaristas afirmaram que a hipótese mais viável é a Prefeitura oferecer ao motorista abatimento em impostos em valor equivalente ao da taxa.   A adoção do sistema de sensoriamento remoto faz parte de um aditivo assinado em novembro de 2004 entre a Prefeitura e o consórcio Controlar, vencedor da licitação para o serviço de inspeção veicular na cidade, realizada em 1995. A van vai usar raios infravermelhos e ultravioletas para identificar o grau de emissão de poluentes dos veículos. Ela ficará parada em 52 pontos da capital, nos horários de pico da manhã, das 7 às 11 horas; e da tarde, das 15 às 20 horas.   Multas   Como falta legislação específica para multar infratores, o sistema fará somente uma radiografia das condições da frota paulistana. "Vamos obter dados para ter em mãos uma idéia da qualidade dos nossos veículos. A partir daí, poderemos estudar campanhas educativas e preventivas", disse o secretário do Verde, Eduardo Jorge.   "Uma hipótese é convidar, por carta, os proprietários dos veículos muito poluidores para fazer a regulagem antes da inspeção. Também podemos premiar o proprietário do veículo muito limpo, evitando-lhe o transtorno de ir até um posto de inspeção." Mas, mesmo que seja dispensado da vistoria, ele terá de pagar a taxa de inspeção.   O padrão máximo de poluentes permitido na capital vai seguir os padrões de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão do Ministério do Meio Ambiente.   De acordo com o secretário, a frota paulistana deve seguir o padrão mundial, no qual 20% dos veículos são considerados muito limpos; 20%, limpos; e outros 20%, regulares (ou no limite máximo de emissão de poluentes). Pelo padrão, os outros 40% da frota se dividem igualmente em poluidores e muito poluidores.   Início da medição   O prazo de até 120 dias para o início da medição de poluentes passou a ser contado há uma semana, quando o prefeito Gilberto Kassab assinou a ordem de serviço para o Controlar preparar o programa de inspeção. O aditivo com o consórcio prevê o uso de uma única van, durante um ano, sem custo extra para a Prefeitura.   "O sensoriamento remoto surgiu como sugestão do workshop Ar Limpo, promovido em São Paulo pelo Banco Mundial em 2004. O equipamento será importado de uma empresa americana", disse o presidente do Controlar, Ivan Azevedo.   "Minha idéia é cumprir todos os prazos de importação para começar a operar o equipamento em setembro." De acordo com Azevedo, o método já é utilizado em várias cidades americanas como um complemento do programa de inspeção veicular. "O diagnóstico da frota serve para medir os ganhos ambientais do programa."   Passo-a-passo da inspeção veicular   1. No licenciamento de 2008, o proprietário do veículo vai pagar R$ 52,89 pela inspeção. A Prefeitura promete devolver o valor, mas ainda estuda uma forma jurídica de fazer o reembolso;   2. Após pagar a taxa e o licenciamento , o motorista terá até 90 dias para fazer a inspeção. A vistoria será feita em um dos 32 postos fixos que serão construídos ou em oficinas volantes, instaladas em estacionamentos de shoppings e hipermercados;   3. A linha de inspeção começa com uma vistoria visual para verificar se não há vazamento de óleo ou problemas no sistema de escapamento. Depois é feita a parte eletrônica, com a introdução de uma sonda no escapamento. A medição da emissão de poluentes será feita em marcha lenta e com o motor a 2.500 rotações por minuto (rpm);   4. Quem for aprovado recebe um selo para ser colado no pára-brisa. Um certificado online também é emitido para o Detran;   5. O reprovado terá 30 dias para marcar uma nova vistoria gratuita. Depois desse período, o proprietário terá de pagar novamente a taxa de R$ 52,89;   6. Quem não fizer a inspeção pode ser multado em 300 Ufirs, o equivalente a R$ 319,23, e fica impedido de licenciar o veículo.   » Estão dispensados da inspeção motos, veículos de uso militar e agrícola, carros de competição e de coleção e tratores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.