Inspeção reprova 100 mil seminovos em 2010

Número corresponde a quase 4% dos carros com até 2 anos de fabricação analisados no teste ambiental; falta de manutenção pode ser um dos fatores

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2011 | 00h00

Cerca de 100 mil automóveis seminovos, com no máximo dois anos de uso, foram reprovados no programa de inspeção veicular ambiental da Prefeitura de São Paulo no ano passado. O número representa quase 4% do total de carros inspecionados (2,6 milhões) em 2010 e foi considerado significativo pela Controlar, concessionária responsável pelo programa.

"Esses 4% causam impacto ambiental, porque poluem 20% a mais do que a frota de veículos dessa idade", afirma o engenheiro Gabriel Murgel Branco, especialista em poluição causada por emissões veiculares e consultor da Controlar responsável pela análise dos números do programa de inspeção paulistano.

Murgel Branco diz que os dados do programa não permitem apontar um motivo da reprovação dos seminovos, mas sim levantar hipóteses. Uma delas, destaca o consultor, é o mau uso do veículo por proprietários, que abririam mão da manutenção adequada ou fariam ajustes para aumentar a potência do motor, levando o automóvel a extrapolar os limites de emissões.

A outra hipótese é levantada pelo médico Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP: em alguns casos, as montadoras de veículos estariam encontrando dificuldades em se adaptar aos padrões ambientais vigentes. "Como alguns veículos novos não estão passando na inspeção, já levantaram uma discussão da revisão das normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Mas temos de ver se não é algo de adaptação tecnológica da indústria", diz Saldiva, em referência a um pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para revisar o limite de emissão de monóxido de carbono, um dos gases poluentes alvos da inspeção.

Em 2010, dos 3 milhões de veículos que passaram pelo teste ambiental (automóveis, vans, ônibus, caminhões e motos), 96,2% foram aprovados após uma, duas ou mais inspeções.

Em evento realizado ontem na Faculdade de Medicina da USP, Branco fez análise abrangente do programa ambiental, cuja implantação na capital começou a ser feita em 2008, e um balanço positivo do impacto das inspeções na regulagem dos veículos da cidade. Pela exposição, os carros flex são os que menos poluem e para os quais a regulagem do motor dura mais tempo.

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