Inseticida pode ter matado dois idosos

Casal e filho de 25 anos foram achados desmaiados, intoxicados, em apartamento da zona sul. Polícia aventa hipótese de suicídio

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 21h28

SÃO PAULO - Dois idosos morreram, supostamente intoxicados, no seu apartamento na Rua João de Souza Dias, em Campo Belo, zona sul de São Paulo. O engenheiro Eiji Sato, de 68 anos, já estava morto quando foi encontrado ao lado de um frasco de inseticida, na madrugada de quinta, 14, para sexta-feira, 15, afirma a Polícia Civil. Sua mulher, Jane Gelse Padilha Donadio Sato, de 62 anos, morreu na tarde desta sexta, no hospital. O filho do casal, o publicitário Danilo César Padilha Donadio Sato, de 25 anos, também passou mal e está internado, sem risco de morte.

O caso aconteceu por volta da 1 hora de sexta-feira. Ao chegar ao apartamento 171 do edifício Mansão Tino Rossi, as equipes de socorro encontraram o filho desmaiado em cima do pai. Ambos estavam caídos no corredor dos quartos e receberam massagens cardíacas, mas Eiji Sato teve a morte constatada por médicos ainda no apartamento. Segundo policiais, a mãe estava numa poltrona da sala, inconsciente e suja de vômito.

Desacordados, Danilo e Jane foram levados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital São Paulo, na Vila Clementino, zona sul. Em estado grave e com sinais de intoxicação, a mãe foi internada, mas não resistiu. O filho passa bem e é mantido em observação. 

Problemas mentais. Aos policiais, o publicitário disse que havia voltado para casa de tarde, após atender um cliente pela manhã. À noite, avisou o pai que tomaria banho e pediu que ele ficasse atento à mãe, que teria problemas mentais. Danilo Sato disse que não sabe quanto tempo demorou no banho, mas que o período costuma ser longo. Ao sair, viu o pai caído na entrada do corredor, com espuma na boca.

O publicitário, então, teria acionado a polícia e os bombeiros. Em seguida, ligou para a portaria do prédio para que os funcionários autorizassem a entrada dos socorristas. Com medo de o pai sufocar, Sato teria segurado a cabeça dele e virado. Pouco depois, diz ter sentido o ar pesado, e, sem saber por que, desmaiou. Só acordou no hospital. Segundo ele, os três estavam sozinhos no apartamento. 

Em princípio, o 27.º Distrito Policial (Campo Belo) registrou o ocorrido como suicídio consumado e tentativa de suicídio. Mas a Polícia Civil, no entanto, não descarta a hipótese de assassinato. “Temos algumas linhas de investigação e seria precipitado afirmar qualquer coisa”, disse o delegado Marcos Gomes de Moura. Desde sexta, a Polícia Civil tem ouvido testemunhas e aguarda o resultado de laudos necroscópicos, cujo resultado pode durar mais de 30 dias. Três equipes do 27.º DP continuarão as investigações no fim de semana.

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