Inquéritos policiais por preconceito racial são maioria

Inquéritos policiais relacionados a preconceito racial e de etnia são maioria na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Foram 92 investigações (51,4% do total), seguidas por homofobia (13,4%) e casos envolvendo torcida de futebol (10,9%).

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2012 | 03h03

No ano passado, foram registrados 47 casos com vítimas de preconceito racial na Decradi. Entre eles, 66% eram de injúria e 26% de discriminação. Não constam casos de agressão.

O advogado Dojival Viera, especialista em casos de racismo e injúria racial, diz que a responsabilização pelos crimes acaba sendo bem menor do que apontam as estatísticas. "Muitos boletins não resultam em inquérito policial. Muitos inquéritos não viram processo. Na Justiça, segundo estudo, 66,9% dos casos em segunda instância são favoráveis aos réus", afirma.

Ele dá como exemplo o caso de uma cliente sua, aposentada negra de 56 anos. A mulher foi seguida pelo segurança de um supermercado em Osasco, que desconfiou que ela havia furtado produtos da loja, e revistada no estacionamento. Ao ver a nota fiscal, foi iberada. Mas o nervoso causado pelo episódio a levou dali ao hospital.

Os casos mais violentos de intolerância pararam no ano passado. Após a morte do punk Johni Raoni Falcão Galanciak em uma briga com skinheads, dois suspeitos de envolvimento na confusão foram presos e, desde então, as gangues perderam força na cidade. Acusado de ser neonazista pela polícia, Guilherme Ferreira de Carvalho, o Chuck, de 21 anos, também foi preso após agredir com outros jovens quatro pessoas no centro. /A.R.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.