MAURICIO DE SOUZA
MAURICIO DE SOUZA

Inquéritos do MPE e da polícia vão apurar incêndio em Santos

Serão revistos os planos de emergência de todo o complexo; nesta terça-feira, 7, bombeiros entraram no 6º dia de combate ao fogo

Luiz Alexandre Souza Ventura, ESPECIAL PARA O ESTADO

07 Abril 2015 | 21h26

SANTOS - O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito para apurar as responsabilidades sobre o incêndio no pátio da empresa Ultracargo/Tequimar, em Santos, no litoral sul de São Paulo. O combate ao fogo nos tanques chegou ao sexto dia. Um inquérito policial também vai levantar as causas do acidente, segundo o secretário estadual da Segurança, Alexandre de Moraes. E serão revistos os planos de emergência de todo o complexo da Alemoa. 

O Decreto 7.083, publicado ontem no Diário Oficial de Santos pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), constituiu uma comissão intersetorial para auxiliar nas investigações. O grupo vai propor mudanças na legislação sobre armazenagem de produtos perigosos.

Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros mantém o combate em dois tanques, ambos com gasolina. De acordo com o capitão Alexsandro Vieira, porta-voz da corporação, em um dos cilindros está em chamas o gás de respiradores. No outro, as labaredas crescem com combustível. As equipes jogam, ininterruptamente, água e espuma para resfriar o local e impedir que as labaredas se alastrem.

Caminhões com 4,5 toneladas de pó químico já estão no local. Além disso, um produto cedido pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), chamado Cold Fire - usado para combater incêndio em aeroportos e aviões -, será usado.

O trânsito de caminhões nos dois sentidos da Margem Direita do Porto de Santos continuará interrompido, conforme informou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Segundo a autoridade portuária, a medida será reavaliada hoje. “Temos de tirar grandes lições desse incêndio”, disse ontem o ministro da Secretaria Especial dos Portos (SEP), Edinho Araújo, durante apresentação a uma plateia de profissionais do setor, em evento em São Paulo. “Precisamos contribuir para que situações como essa não se repitam”, reforçou.

Ambiente. Ainda nesta terça-feira, o gerente regional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), César Eduardo Padovan Valente, garantiu que a qualidade do ar na Alemoa “é boa e está dentro dos padrões”. A avaliação foi feita por equipamentos da companhia e do Exército (Siges), que usam infravermelho para identificar possíveis gases tóxicos e têm alcance de cinco quilômetros. O dispositivo do Exército foi instalado no viaduto da Alemoa.

Já os pescadores que trabalham diariamente na região do Estuário não sabem a quem recorrer. A quantidade de peixes mortos é enorme, impossível de ser registrada até o momento. As comunidades no entorno esperam por uma providência das autoridades. 

Padovan Valente, da Cetesb, afirmou que a situação no pátio da Ultracargo ainda é de emergência. Por isso, não é possível começar a análise dos peixes e da água. 

Segundo ele, as primeiras amostras só foram coletadas no sábado de manhã. Sabe-se, conforme um relatório preliminar enviado pela Ultracargo no domingo, que o incêndio alterou a qualidade da água do mar no Canal do Estuário, o que pode ter causado a mortandade dos peixes. / COLABOROU LUCIANA COLLET

Mais conteúdo sobre:
São Paulo Santos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.