Infraero não explica porque reabriu pista de Congonhas

Um dia antes da tragédia, pista principal do aeroporto teve duas derrapagens e não foi fechada

Mel Bornstein, do estadao.com.br,

18 de julho de 2007 | 19h43

Um dia depois da maior tragédia da história da aviação civil brasileira e, em meio à contagem e identificação dos mortos na explosão de um Airbus A320, com 186 passageiros, no Aeroporto de Congonhas, a Empresa Brasileira de Infra-estrutura não consegue explicar porque a pista principal do aeroporto estava em operação. No dia anterior, um avião da Pantanal e outro Airbus A320 da TAM derraparam na pista.  Veja também:Empresário paulistano competiu na S. SilvestreMorte de 4 da mesma família comove BirigüiIrmãs queriam assistir a filme de Harry Potter Lista das 186 vítimas do acidente O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Os piores desastres aéreos do BrasilA cronologia dos acidentes em Congonhas Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente  Durante uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira, 18, o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, reiterou que "a pista de Congonhas é segura" e que não poderia ser fechada antes que as causas dos acidentes de segunda-feira fossem apuradas.  No entanto, antes mesmo de o inquérito da Polícia Federal apontar as causas do acidente com o vôo JJ 3054, a Infraero determinou o fechamento da pista até o dia 20 de julho. Após esta data, ela poderá voltar a funcionar apenas com tempo seco.  Em caso de chuva, os vôos seriam operados apenas pela pista auxiliar, que possui grooving (ranhuras na pista que auxiliam no escoamento da água). Ele lembrou ainda que essas ranhuras devem ser feitas entre agosto e setembro. O superintendente evitou apontar culpados e insistiu que a Infraero não errou em deixar de bloqueá-la após os acidentes do dia anterior. "Ela (pista) está dentro dos padrões internacionais e dentro dos padrões aceitos mundialmente", disse. "Não se tem certeza do que aconteceu com o jato da Pantanal. Não poderíamos interditar a pista de São Paulo por uma suposição."  Irritado após várias perguntas de jornalistas sobre a hipótese de a falta de grooving ter causado o acidente, Schneider explicou que as "ranhuras não aumentam o atrito, apenas ajudam a escoar a água" e que em muito aeroportos sequer possuem esse sistema. Investigação A média mundial de investigações de uma acidente das proporções como o de terça-feira, 17, com o Airbus A-320 da TAM é de 18 meses, mas a previsão do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) é de encerrar os trabalhos em um prazo menor. "A gente acredita que deve levar 10 meses", disse o brigadeiro do ar e chefe do Centro, Kersul Filho. Ele informou, no entanto, que não é necessário que a investigação se encerre para que sejam adotadas medidas e recomendações de segurança que impeçam novos acidentes do mesmo tipo. Kersul Filho disse ainda que a degravação da caixa preta do Airbus enviada aos Estados Unidos nesta quarta-feira deve começar na manhã da próxima segunda-feira e que o retorno da equipe do Cenipa ao Brasil se dará na próxima quarta-feira. Só então serão iniciadas as investigações. De acordo com ele, por mais constatações de segurança que se tenha do transporte aéreo não dá para garantir total segurança com relação aos acidentes. "Por mais que façamos, por mais seguros que sejam os aviões e aeroportos, não temos garantia de que não haverá acidentes, assim como no transporte marítimo e terrestre", declarou. Aquaplanagem Segundo o brigadeiro, a comissão responsável pela investigação já esteve no local do acidente e colheu os dados necessários para apuração das causas. "Ela (a comissão) já veio a São Paulo e colheu os dados possíveis. Juntando esse quebra-cabeça poderemos começar a dizer o que aconteceu", informou. "Toda investigação responsável requer aprofundamento", complementou. Kersul Filho disse ainda que o acidente com o jato da companhia Pantanal, que derrapou um dia antes do acidente da TAM, não tem relação com esta tragédia aérea. "Não tem ligação com esse", salientou. Com a insistência dos jornalistas em esclarecer motivações para o acidente da TAM, o brigadeiro emendou: "As perguntas que vocês (da imprensa) fazem são as perguntas que nós fazemos. Se tivéssemos essas respostas a investigação já teria sido concluída." Aceleração Outro fato amplamente discutido na coletiva era se o avião da TAM teria ou não acelerado no momento da aterrissagem. De acordo com Kersul Filho, somente as investigações poderão indicar isso. Com velocidade bem reduzida, ele teria caído na avenida. Mesmo assim, soltou um palpite: "Podemos apenas dizer que estava numa velocidade anormal para aquele trecho". Segundo ele, é provável que a aeronave tenha acelerado, pois, se estivesse em uma velocidade baixa, "teria caído na avenida (Washington Luís)". Ele também afirmou que entre os fatores que contribuíram para o acidente podem estar outros que não seja o da aquaplanagem. "Porém, nenhum fator é descartado", considerou. Kersul Filho explicou que, normalmente, as aeronaves levam 11 segundos para percorrer determinado trecho da pista porque estão em um processo de desaceleração. "Neste caso (da aeronave da TAM), ela percorreu o mesmo trecho em um tempo muito menor (3 segundos), mas é um dado que não deve ser considerado isoladamente", ponderou. Ele acrescentou que ainda não é possível afirmar que houve derrapagem da aeronave na pista de Congonhas.(Colaborou Roberto Lira, da Agência Estado)

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