'Informação de qualidade não interessa'

O sr. acha que houve manipulação dos números para vender a diminuição dos homicídios no Rio?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 03h02

Ou o sistema médico-legal do Rio faliu ou foi fraude. É muito estranho de uma hora para outra dobrar o número de pessoas que você não consegue determinar a causa do óbito. Hoje, o Rio responde por 27% das mortes por causa indeterminada no Brasil.

Como o sr. percebeu que havia algo errado com os dados fornecidos pelo governo do Rio?

A morte não esclarecida vinha diminuindo nos Estados, inclusive no Rio, até 2006. Em 2007, o número de pessoas cuja causa da morte não foi esclarecida passou de 1.600 para 3.200. Em 2009, chega a 3.600. Pareceu-me escandaloso e destoante do padrão nacional.

Como é possível número tão alto de mortes não esclarecidas?

Primeiro, é o Instituto Médico-Legal sucateado. Segundo, a cena do crime é a primeira coisa a ser desrespeitada, e pela polícia, que deveria preservar o local. Por que isso acontece? É incentivo para não produzir informação. No Rio, a polícia está comprometida com grupos de extermínio e milícia. Não interessa produzir informação de qualidade. Inúmeras vezes, a vítima está morta e o policial leva o corpo para o hospital para desfazer a cena do crime. / P.D.

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