Influência de São Paulo chega a 3 mil quilômetros

IBGE divulga estudo sobre as redes de influência das 12 principais metrópoles brasileiras

Felipe Werneck, Eduardo Reina, Diego Zanchetta e Gabriela Cabra, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2008 | 21h30

A 3,6 mil km de distância, Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) pertencem à região de influência de São Paulo, o grande centro urbano do País. Há 40 anos, essas capitais estavam subordinadas a Belém (PA) e Manaus (AM). O surgimento de uma rede logística e financeira, que inclui novas estradas, bancos, sedes de empresas e conexões aéreas diárias, permite hoje que um produto de Rondônia chegue à capital paulista, via terrestre, antes do navio aportar no Amazonas.   Veja também: Detalhes do estudo feito pelo IBGE  Rede de influência de SP tem 28% da população e 40,5% do PIB São Paulo, a 1ª macrometrópole do hemisfério sul   O estudo "Regiões de Influência das Cidades 2007", divulgado nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os 1.028 municípios que compõem a chamada grande metrópole nacional, com centro em São Paulo, concentram 28% da população e 40,5% do PIB. As principais relações empresariais de todas as outras 11 metrópoles do País - o Rio é a segunda; Brasília, a terceira - convergem para São Paulo, que já influencia outros países.     "São Paulo já era a grande área urbana em 1966, mas esse papel, em quase todas as variáveis analisadas, se descola bastante das demais metrópoles no âmbito nacional", diz o pesquisador do IBGE Claudio Stenner, um dos coordenadores do estudo. No entanto, apesar da presença de uma rede bem estruturada de centros intermediários, a concentração do PIB per capita na capital de São Paulo era 27,9% maior do que na média de toda a metrópole (os dados de PIB municipal são de 2005). A divisão da renda entre a capital e os demais 1.027 municípios da rede mostra um PIB per capita de R$ 21,6 mil para a "cabeça", ante R$ 14,2 mil para o restante do grupo.   Os tentáculos econômicos de São Paulo se estendem até parte do Triângulo Mineiro e do sul de Minas, passam por Mato Grosso do Sul, atravessam o Pantanal e atingem a Floresta Amazônica, em Rondônia e Acre. "Os recursos do mercado financeiro, até internacional, passam pela capital paulista e depois são redistribuídos. As multinacionais, por sua vez, podem até manter a linha de produção em outras cidades, mas as sedes comerciais e de finanças estão no Município de São Paulo. Toda essa megaestrutura financeira e empresarial projeta o Estado como o epicentro das mudanças do País", aponta o pesquisador Ricardo Ojima, da Unicamp.   A situação virou dependência. O engenheiro Evandro Elias deixou São Paulo há cinco anos para trabalhar em Tocantins. Hoje, é contratado da Universidade Federal do Tocantins, na cidade de Gurupi, a 273 km de Palmas. Tudo que chega à cidade ou tem origem em São Paulo ou passa antes pela capital. Já de acordo com o consultor econômico da Federação do Comércio, Bens e Serviços (Fecomércio) de Rondônia, Silvio Persivo, "em São Paulo se encontram grandes atacadistas, e quase 80% do comércio de Porto Velho se beneficia deles".

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