Infiltração faz encosta deslizar na Penha: 20 casas destruídas em efeito dominó

Um deslizamento de terra destruiu 20 casas ontem no Jardim Maringá, na região da Penha, zona leste de São Paulo. Segundo a Defesa Civil, dez residências ruíram totalmente e dez tiveram vários cômodos destruídos. Até ontem à noite, outros 25 imóveis haviam sido interditados, mas a Prefeitura estimava que esse número poderia chegar a cem. Ninguém ficou ferido. Ao menos 80 pessoas estão desabrigadas.

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2010 | 00h00

Foram afetadas casas da Rua Fernandes Portoalegre e da Avenida Mendonça Drummont - a primeira fica em um barranco de cerca de 20 metros que desce em direção à segunda. Nos imóveis de cima, rachaduras começaram a aparecer ainda na madrugada. Moradores contam que, pouco a pouco, paredes foram cedendo e caindo sobre as casas de baixo, em efeito dominó. As últimas casas tombaram por volta das 16h.

O secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, afirmou que a região foi mapeada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em agosto como área de risco e, desde segunda-feira, fiscais da Subprefeitura da Penha estariam alertando os moradores. "Essa é uma área da Prefeitura, invadida há duas décadas", disse ele, que atribuiu o deslizamento a esgoto e águas pluviais que estariam se infiltrando no solo. "Como essas casas não são legalizadas, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não pôde fazer a coleta do esgoto nem galerias pluviais", disse.

Moradores, porém, afirmaram que ninguém foi procurado pela Prefeitura. "Fomos nós que avisamos das rachaduras hoje. E eles demoraram três horas para chegar", disse o operador Edmundo Antônio dos Santos, de 30 anos. À noite, a Prefeitura confirmou que nenhuma notificação foi feita nos últimos dias.

Eles disseram ainda que há ligação da Sabesp em todas as casas e não existe despejo de esgoto no morro. A reportagem visitou imóveis vizinhos e constatou que todos tinham relógio de medição de água. Os moradores afirmam que um cano da Sabesp teria vazado por duas semanas até ser consertado na segunda. A Sabesp informou que um pequeno vazamento na Rua Fernandes Portoalegre foi reparado e não há relação com o desabamento.

HORA A HORA

Anteontem

20h

Moradores ouvem estalos, como de paredes cedendo.

Ontem

6 horas

Rachaduras aumentam e Defesa Civil é acionada.

12h30

Defesa Civil manda os moradores tirarem móveis das casas.

16 horas

Terreno começa a ceder e as casas, a desmoronar.

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