Infiltração é causa mais provável de queda de prédio

Bombeiros acharam ontem nos escombros corpo de enfermeira; desabamento em São Bernardo também matou menina de 3 anos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h03

Os bombeiros retiraram ontem às 20h30 o corpo da segunda vítima do desabamento do Edifício Senador, no centro de São Bernardo, no ABC paulista. A enfermeira Patrícia Alves Farias de Lima, de 26 anos, estava no sexto andar do prédio que caiu na noite de anteontem, matando também uma menina de 3 anos. Uma infiltração na cobertura é a principal hipótese para a causa do colapso das lajes de 13 andares.

Na cobertura do prédio, a polícia encontrou indícios de que foi feita recentemente uma obra para combater uma infiltração, com partes vedadas possivelmente com selante à base de piche. Também teria sido instalado um ralo para escoar a água das chuvas. Responsável pelo inquérito, o delegado titular do 1.º DP de São Bernardo, Victor Lutti, disse que a obra não foi "conveniente". O Ministério Público também vai apurar o caso.

A única obra em andamento no prédio atualmente era a pintura do hall dos elevadores e de corredores. Cláudio Fortunato, de 37 anos, responsável pela intervenção, estava no local no momento do acidente. Ele vistoriava os andares, à espera de funcionários do turno da noite, quando tudo veio abaixo. "Foi coisa de cinco segundos." A prefeitura de São Bernardo diz que o prédio foi vistoriado no ano passado e estava em situação regular. O edifício vai ficar interditado, mas não foi condenado.

Escombros. Patrícia estava na sala 64, onde também se encontravam o metalúrgico José Fabrício Oliveira Moraes, de 37 anos, e a filha dele, Júlia, de 3, que morreu. O marido da enfermeira, o também metalúrgico Florisvaldo Cristóvão de Lima, de 34, acompanhava a distância o trabalho dos bombeiros. "A gente sempre conversa por telefone por volta das 20h, quando ela deixa o serviço. Liguei, mas dessa vez ninguém atendeu."

Lima mora em Ribeirão Pires. Patrícia era coordenadora de enfermagem da clínica, onde trabalhava havia oito anos. O pai de Patrícia também acompanhou o trabalho dos bombeiros.

Já haviam sido retiradas, até a noite de ontem, cerca de 300 toneladas de entulho do local. Faltava remover aproximadamente um quinto do material.

O desabamento deixou desalojados médicos, dentistas, advogados e outros profissionais liberais que ocupavam as 74 salas do Edifício Senador. Cercados por um cordão de isolamento em uma das calçadas, eles contabilizavam os prejuízos e tentavam recuperar o que sobrou.

O piso da sala 94, consultório do urologista Carlos Bezerra, de 51 anos, ruiu por completo. "Além dos equipamentos, também estavam lá prontuários dos pacientes." A documentista Eliana Palazzo, de 46 anos, tentava encontrar forças. "Não posso ficar sem trabalhar. Vamos procurar outro lugar."

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