Inea: chuva como no Rio só a cada 350 anos

Instituto Estadual do Ambiente diz que volume de água foi maior que o divulgado

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, disse ontem que dados de estações pluviométricas do órgão indicam que chuvas com a intensidade da semana passada têm probabilidade de ocorrer "a cada 350 anos". Segundo ela, o temporal na região serrana foi totalmente atípico e resultados de estações do Inea contrariam dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume foi maior que o divulgado, afirmou Marilene. A direção do Inmet não foi localizada para comentar.

Segundo o Inea, os dados do Inmet relativos a Teresópolis - que indicaram precipitação de 124,6 mm num período de 24 horas (a partir de zero hora do dia 11) - foram baseados na estação localizada em área distante do núcleo de maior intensidade de chuva no município. Em Friburgo, onde o Inmet registrou 182,8 mm, o resultado está mais próximo dos dados coletados pelo Inea.

"Se avaliarmos o volume de precipitação no período de 24 horas a partir de 20 horas do dia 11, nossas estações situadas no núcleo da chuva apontam 249 mm e 297 mm", declarou Marilene. "Não temos condições de afirmar que foram as mais fortes chuvas já registradas na serra. Mas, com certeza, pelas características dos deslizamentos e escorregamentos, podemos afirmar que esses níveis de precipitação foram os verificados nas regiões atingidas de Teresópolis, Nova Friburgo e no Vale do Cuiabá, em Petrópolis."

Ela disse que o sistema de alerta de Nova Friburgo é composto por cinco estações pluviométricas e hidrológicas (que apontam o nível dos rios). A sexta estação foi perdida durante a tempestade. O sistema dispara SMSs de celular em três níveis: atenção, alerta e alerta máximo. O primeiro alerta de atenção, no dia 11, foi expedido às 18h30. Já o alerta máximo foi divulgado por volta de 00h45 do dia 12. Segundo Marilene, eles foram recebidos pela Defesa Civil de Nova Friburgo.

O sistema de alerta foi implementado em 2008 e abrange, além de Nova Friburgo, Macaé e a Baixada Fluminense, com previsão de extensão a Petrópolis e Teresópolis. Funciona com base em dados de satélite fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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