Indústria já prevê reduzir produção

Em Santa Catarina, alguns produtores rurais ficaram sem ração para aves e suínos

Venilson Ferreira / Brasília, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h04

Caminhoneiros fizeram ontem 33 protestos em 9 Estados brasileiros. Em Santa Catarina, a Coopercentral Aurora Alimentos informou que, a partir de hoje, reduzirá ou paralisará as atividades em cinco plantas industriais.

Segundo a Aurora, os caminhões que levam rações para as propriedades rurais e os que transportam aves, suínos e leite in natura foram retidos nas dezenas de barreiras montadas pelos manifestantes. As indústrias estão sem matéria-prima para processar e os produtores, sem receber a ração para alimentar os plantéis de 20 milhões de aves e 800 mil suínos.

O frigorífico de São Miguel do Oeste, por exemplo, anunciou que reduzirá em 50% o abate diário de suínos, que baixará de 1,9 mil para 950 animais/dia. Já o frigorífico de aves de Maravilha suspenderá em 100% as atividades e deixará de abater e processar 145 mil frangos/dia. Cerca de 2 mil trabalhadores serão dispensados hoje.

O principal bloqueio no Estado ocorreu na BR-282, próximo do trevo de acesso à cidade de Maravilha, na região oeste, mas os protestos no País impediram a circulação de caminhões que saíam de vários Estados.

No Rio houve bloqueio em duas vias federais - a BR-116 (Via Dutra) e a BR-040 (Washington Luís). Na Dutra, os caminhoneiros se posicionaram no acostamento ao longo de 2 quilômetros durante todo o dia, perto de Barra Mansa. À tarde, fecharam a via nos dois sentidos por 30 minutos e o engarrafamento se estendeu por 5 km.

No Rio Grande do Sul, os protestos aconteceram em pelo menos quatro trechos. A pista da BR-101 que segue para Santa Catarina foi fechada por cerca de 30 caminhoneiros em Três Cachoeiras. O sentido inverso permaneceu liberado. Outros 80 transportadores interromperam o tráfego na BR-392, nos dois sentidos, em Santa Maria.

Em Minas Gerais, a manifestação começou ainda de madrugada e, apesar de o tráfego de carros e ônibus ter sido liberado, as estradas tiveram longas filas de congestionamento.

A rodovia mais afetada foi a BR-381, tanto no trecho que liga Minas a São Paulo quanto na parte entre Belo Horizonte e o Espírito Santo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, em pelo menos cinco pontos foram feitos protestos, com interdição da passagem de caminhões em ambos os sentidos. As exceções eram os veículos com cargas perecíveis ou perigosas.

Pedágio e café. Além das manifestações de caminhoneiros, os pedágios motivaram protestos em Minas. Na BR-050, em Araguari, estudantes fecharam as pistas cobrando redução nos valores. Já na Zona da Mata mineira, a BR-262, no km 50, perto de Manhuaçu, foi bloqueada por cafeicultores que lutam por melhores preços do produto./ COLABORARAM CLARISSA THOMÉ, ELDER OGLIARI e MARCELO PORTELA

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