'Indústria invisível' do eixo deve ser preservada, ressalta urbanista

'Indústria invisível' do eixo deve ser preservada, ressalta urbanista

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2015 | 02h02

Desenvolvida ainda no século 19 nas margens da linha da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em um eixo de crescimento que se estendeu da Estação da Luz até a região do ABC paulista, a área da nova operação urbana mantém uma série de indústrias ainda ativas, intercaladas com terrenos invadidos e regiões contaminadas.

A proposta apresentada ontem divide a área em três regiões de desenvolvimento - em uma delas se pretende manter as indústrias instaladas. "Há toda uma indústria invisível na região, como galpões que pegam chapas e fazem latas que são vendidas para a indústria de tintas. O primeiro estudo para o tema, chamado Eixo Sul, não considerava esses pontos", diz o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) João Sette Whitaker Ferreira. "Se o novo plano respeita isso, é um avanço."

Ferreira acompanhou as discussões sobre a operação no Conselho da Cidade. "Quando se fala em revitalização de uma área, é importante observar a vida que segue, sozinha, na área a ser revitalizada. Parece que isso aconteceu", continua.

O professor, entretanto, destaca que as ações da Prefeitura para as moradias populares são tímidas diante da realidade. "Cerca de 70% da população é de baixa renda. Então, não faz sentido reservar 25% dos recursos para a baixa renda. Deveria ser 70%", afirma.

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, afirma que a manutenção das indústrias será feita mediante estímulos para aproveitamento do leito ferroviário já existente. "É uma das únicas áreas da cidade que recebem carga de trem e está conectada com o Porto de Santos. Isso precisa ser mantido."

O plano é tornar as outras duas regiões de desenvolvimento atrativas para a chamada economia criativa, empresas voltadas à área de tecnologia, com a manutenção da fachada dos atuais galpões do século retrasado. "A experiência de outras cidades do mundo mostra que esse tipo de gente (empregados desse setor) se integra muito bem com locais históricos e com galpões amplos, com grandes áreas e sem divisórias", avalia o secretário. / B.R.

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