Indústria do jogo libera fumo em cassinos de Las Vegas

Na contramão das restrições ao tabaco,casas de apostas dacidade viram paraísos para fumantes

Adam Nagourney, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

O aviso na porta do hotel-cassino era enfático: "O Westin Casuarina é um ambiente sem fumaça. Obrigado por não fumar." Um pouco além, quatro pessoas estavam debruçadas sobre máquinas de apostas com filetes de fumaça de cigarro ao seu redor enquanto alegremente os sopravam. E era perfeitamente legal. "Isso é bom", disse Ray Wan, comissário de bordo, acendendo um cigarro em frente à máquina .

Em uma época em que boa parte do resto dos Estados Unidos - do resto do mundo, aliás - está numa cruzada para banir o fumo em lugares públicos, os cassinos de Las Vegas surgiram como um oásis para fumantes, talvez o último lugar livre das restrições que se espalharam, de restaurantes a bares, a shopping centers, a carros transportando crianças. A lei de Nevada se sobrepõe à política do Westin.

Pouco importa que os eleitores de Nevada tenham aprovado por larga maioria a proibição do fumo em lugares públicos há quatro anos: a poderosa indústria do jogo cuidou que a legislação incluísse uma exceção para os cassinos. Carteadores e crupiês, alarmados com o fumo passivo, movem ação coletiva federal de US$ 5 milhões contra o Wynn Las Vegas, para obrigar o hotel a proteger os trabalhadores do cassino que precisam ficar em salas enfumaçadas. Mas o máximo que os advogados dos queixosos esperam do caso é a instalação de aparelhos de purificação do ar de alta tecnologia.

Mesmo os rótulos de advertência para maços de cigarro propostos por reguladores da saúde na quarta-feira provavelmente não farão nenhuma diferença aqui.

Em um lugar como Las Vegas, que criou uma indústria a partir do excesso e do comportamento de risco, o fumo parece estar aqui para ficar. Líderes cívicos que poderiam estar desconfortáveis em permitir um hábito que tem, se podemos dizer, lados negativos demonstráveis, apontam para a evidência de que uma proibição prejudicaria o negócio dos cassinos, argumentando que fumar faz parte da experiência de Las Vegas tanto quanto bebidas grátis, apostar moedas às 7 horas da manhã e serviços de acompanhantes. Atlantic City proibiu o fumo em 2008 e recuou da proibição um mês depois por causa dos cassinos.

"Há um vínculo entre fumantes e jogadores há anos", disse Billy Vassiliadis, executivo de publicidade que representa a indústria de turismo da cidade. "Muita gente faz coisas aqui que não faz em casa. Isso faz parte do charme geral de Las Vegas. Aqui você tem opções."

Stephanie Steinberg, presidente da Smoke-Free Gambling - organização de trabalhadores e donos de cassinos que pressionam pela proibição do fumo em casas de jogos - disse que Nevada é o Estado mais intransigente nessa questão. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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