Indústria brasileira de munições domina mercado e se expande

GENEBRA

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

O levantamento também desmonta argumentos do lobby das armas no Congresso Nacional - que busca por lei uma série de licenças para liberar o porte de armas para uma dezena de atividades. Grande parte dos armamentos usados por criminosos no Brasil para matar e ameaçar brasileiros é fabricada no próprio País e a indústria de armas leves "está em plena expansão".

"As armas usadas no Brasil pelo crime são em sua maioria produzidas domesticamente, não importadas", alerta o levantamento internacional. A constatação dos especialistas, portanto, é de que a indústria nacional simplesmente não foi afetada pelo Estatuto do Desarmamento adotado em 2003 e continua vendendo, ao contrário da expectativa de até "ter de fechar", antes do "não" ao desarmamento. "A produção de armas leves no Brasil cresceu de forma exponencial na última década, na qual se identificou um aumento da violência", alertaram experts internacionais, que apontam a Taurus como a "joia da coroa" da indústria - com destaque para suas vendas para os Estados Unidos.

Rifle. Hoje, a produção de armas leves no Brasil movimenta US$ 100 milhões. Mas as suspeitas do instituto são de que os valores sejam bem maiores do que estão sendo divulgados. A falta de dados de exportação de armas mais transparentes por parte do governo também é denunciada pelas entidades. Em apenas 25 anos, as vendas nacionais ao exterior triplicaram, chegando a US$ 199 milhões em 2007. Apenas a partir de 2004, o valor dobrou.

Parte das exportações seria ainda mascarada como venda de rifles de caça. O levantamento ainda registra "anomalias", como a exportação de um rifle de caça pesando 6 toneladas e com um custo de US$ 486 mil. A suspeita de entidades internacionais é de que isso tenha sido a venda de um sistema de mísseis da Avibras para a Malásia, em 2001. Várias dessas anomalias também já foram encontradas em vendas nos anos 1980 e 1990 para a Arábia Saudita e Catar.

Nos anos 1980 e parte dos 1990, aliás, países em conflito como Iraque, Líbia, Angola, Paquistão e Colômbia também estiveram entre os maiores compradores de armas brasileiras. Os colombianos, em plena guerra, assumiram o posto de segundo maior comprador de munições do Brasil nos últimos 25 anos.

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