Índios vão trocar oca por casa do CDHU

Projeto em Mongaguá vai atender 88 guaranis, que estão animados porque ganharão banheiros

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2010 | 00h00

Mudança. Casas de alvenaria terão 50 metros quadrados

 

MONGAGUÁ

Vivendo em moradias que mais parecem barracos de favela que ocas indígenas, os 88 índios guaranis da Aldeia Aguapeú, em Mongaguá, na Baixada Santista, esperam para abril de 2011 a conclusão das 23 unidades habitacionais que estão em construção na aldeia. O projeto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e da prefeitura do município teve participação dos índios desde a elaboração e vai custar R$ 905 mil.

A verba do projeto é de fundo perdido e os índios não vão pagar pelas moradias ou receber escrituras. Como são nômades, as casas poderão ser destinadas a outras famílias se as atuais deixarem a aldeia, desde que o cacique autorize a inserção do novo grupo na comunidade. As casas serão de alvenaria, terão 50 metros quadrados, três quartos, sala, varanda e cozinha com fogão a lenha. Além disso, cada unidade terá seu próprio banheiro ? hoje os banheiros são comunitários.

Tradições. O cacique Davi da Silva, de 39 anos, afirma que as tradições indígenas não serão abaladas com as novas moradias e que a "casa da reza" continuará do jeito que está, com chão de terra, paredes de bambu e teto de sapê. "Vamos manter nossos costumes, nossa língua, mas nossas crianças não vão ficar mais doentes."

Coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) no litoral sul paulista, Cristiano Hutter reforça os ganhos trazidos pela obra às condições de saúde. Segundo ele, como as paredes das tradicionais casas indígenas têm frestas, são constantes os problemas pulmonares nas crianças.

Expansão. Com um déficit habitacional de 4 mil moradias, o prefeito Paulo Wiazowski Filho (DEM) pretende firmar outras parcerias na área e estender o projeto à outra aldeia da cidade, a Itaóca. " A prefeitura promoverá ações que melhorem a qualidade de vida dos índios sempre que possível", afirma.

De acordo com o diretor de Habitação de Mongaguá, Carlos Ferreira Silva, o mais difícil é conseguir a licença ambiental. "Tivemos que provar que as casas serão construídas nos mesmos locais das atuais. Também fizeram testes para constatar que o tratamento de esgoto (realizado pela Fundação Nacional da Saúde) era eficiente."

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