Indignada, população volta à rotina e espera fim da greve

A pergunta que ecoou ontem por toda Salvador, entre moradores, comerciantes e turistas, era a mesma. "E agora, acabou a greve?", questionavam centenas de pessoas indignadas com as gravações divulgadas na noite anterior, que mostraram líderes grevistas articulando ações de vandalismo no Estado.

DIEGO ZANCHETTA , ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h01

No primeiro dia após a desocupação do prédio da Assembleia Estadual, não se repetiram os boatos que fecharam o comércio do centro da capital baiana nos dias anteriores. Com mais gente nas ruas, o trânsito também voltou a ficar pesado. Funcionários que moram nas regiões mais periféricas, e alegavam falta de segurança aos patrões, voltaram ao trabalho ontem. Não houve passeatas ou bloqueios de avenida.

"A cidade está voltando ao normal já. Agora só faltam os PMs voltarem a trabalhar de uma vez por todas, depois da vergonha que eles causaram para a Bahia", disparou Ronaldo Antunes França, de 45 anos, dono de uma loja de artesanato no Pelourinho.

Nos principais pontos turísticos de Salvador, o movimento continuou bem abaixo da média para a época do ano. Mas algumas lojas que nem estavam abrindo ontem voltaram a funcionar. Xingamentos dos mais variados eram ouvidos contra os grevistas nas barracas do Mercado Modelo.

Carlos Battú, de 49 anos, chamou os colegas vizinhos para fazer um discurso indignado. "A Bahia não pode tolerar mais esse tipo de marginal. Não podemos deixar o governador perdoá-los, nem que a gente tenha de perder o carnaval", bradava o comerciante, que viu suas vendas caírem mais de 50% desde o início da paralisação. "E tudo isso só por causa de meia dúzia de baderneiros. É cadeia neles agora!", emendou outro dono de barraca no Mercado, Jaime Brilhante, de 67 anos.

Lojistas também contaram que os ônibus coletivos voltaram a circular após as 22 horas em regiões com altos índices de violência, como no Marechal Rondon e em Itapuã. "Eles (grevistas) precisam dar o braço a torcer e acabar com essa paralisação que só atrasou a vida da gente", criticou a balconista Sandra Maria Brasil, de 28 anos.

Segurança. Soldados do Exército e da Tropa Nacional seguem fazendo a patrulha em diversos locais, como a Igreja Nossa Senhora do Bonfim e o Pelourinho. Poucos PMs voltaram ao trabalho. Quem voltou às ruas diz que vai manter uma "greve branca", sem atender ocorrências, até o desfecho das negociações.

No entanto, alguns soldados ouvidos pela reportagem admitiram que a resistência agora é só para tentar garantir menos punições. "Não acaba hoje para não desmoralizar todo mundo que parou."

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