Indiciados 270 por ligação com Roupinol

Indiciados 270 por ligação com Roupinol

Acusados compravam insumos para a produção de cocaína controlada por traficante morto pela polícia anteontem

Gabriela Moreira, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO / RIO

As investigações em torno de Rogério Rios Mosqueira, traficante morto pela polícia anteontem e principal distribuidor de cocaína para favelas do Rio, levou ao indiciamento de cerca de 270 pessoas. Desses, 42 já tiveram a prisão decretada pela Justiça.

Segundo a polícia, a maioria é de moradores das favelas da Rocinha e Mineira, dominadas pelo traficante, que eram usados para comprar os insumos básicos necessários para a produção do entorpecente. São pessoas comuns, que recebiam cerca de R$ 40 para comprar os produtos, de venda controlada, em que é necessário deixar registrados na nota fiscal os nomes e o CPF.

"Como são produtos controlados, a venda é limitada a 2 litros por compra, ao mês. Para comprar em grande quantidade, ele (Roupinol) aliciava moradores, que tinham de deixar seu nome e CPF registrados na hora do negócio. Um fator que facilitou a descoberta do esquema foi o fato haver apenas uma empresa que vende estes produtos no varejo no Rio", afirmou chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski.

Lucros. Segundo o delegado, os produtos químicos eram misturados com pasta-base de cocaína comprada na Bolívia e na Colômbia. Após a mistura, o produto era vendido para outros traficantes ou para consumidores. Com a venda do entorpecente puro, segundo a polícia, Roupinol ? como era conhecido ? faturou R$ 54 milhões nos últimos dois anos. Ainda de acordo com o delegado, no mesmo período, ele ganhou cerca de R$ 384 milhões vendendo a droga a usuários em bailes funk e nas bocas de fumo das diversas favelas controladas por sua facção.

Roupinol foi enterrado, ontem, em Macaé, cidade onde nasceu. Parte do comércio fechou por ordem do tráfico local, que era controlado pelo bandido. No morro em que foi morto, São Carlos, no Rio, a Polícia Militar entrou em confronto com integrantes da quadrilha de Roupinol, após o velório simbólico do criminoso. Um oficial foi ferido de raspão. Foram apreendidos uma pistola 9mm e 1.600 papelotes de cocaína. Ninguém foi preso.

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