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Homicídios caem e São Paulo tem menor taxa desde 1999

Estado registrou 9,52 casos para cada 100 mil habitantes em maio; crime caiu 16,5%. Secretaria registrou ainda queda em quase todos os delitos contra o patrimônio no Estado, como roubo (-11%), furtos (-8,4%) e roubo de veículos (-28,5%)

Felipe Resk e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2015 | 12h26

Atualizada às 00h20

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo registrou em maio a menor taxa de homicídios desde 1999, quando a capital teve 52,58 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 25, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, o atual índice é de 9,52 casos para cada cem mil pessoas. Na capital, a taxa é um pouco maior: 9,69 - a menor registrada desde 2011 (9,01).

Segundo a secretaria, no Estado aconteceram 292 casos em maio, ante 350 no mesmo período do ano passado: redução de 16,57%. Entre janeiro e maio, foram 1.669 homicídios, o que representa redução de 10,46%, ante o mesmo período de 2014.

Na capital foram registrados 83 homicídios em maio, um a menos do que em maio de 2014. Um outro parâmetro para mostrar a situação atual dos assassinatos na cidade são os dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Desde 1980, com 18,5 casos por 100 mil habitantes, não há registro de taxa de homicídios menor do que a de maio para a capital.

O governo comemorou o fato de o crime estar abaixo da barreira de dez casos por 100 mil habitantes, usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para definir quando uma doença é endêmica em uma população. “É o nível aceitável, mas óbvio que não é um número bom”, disse Alexandre de Moraes, secretário da Segurança Pública. São Paulo foi o único Estado a fechar 2014 com taxa abaixo dessa barreira.

Ainda de acordo com Moraes, a taxa para o delito no Brasil é de 27 homicídios para 100 mil habitantes. Desconsiderando o índice de São Paulo, esse número subiria para 38 casos por 100 mil habitantes. 

Outra estatística comemorada por Moraes e pelo Palácio dos Bandeirantes é que, desde 2013 o número de homicídios não ficava abaixo dos 400 casos na Grande São Paulo, exceto capital. Ao todo, foram 397 registros no cinco primeiros meses deste ano, ante 482 no mesmo período do ano passado. A queda é da ordem de 17,63%, segundo a pasta.

Os dados referentes aos assassinatos em maio seguem a tendência dos meses anteriores em 2015. Em abril, a Secretaria da Segurança Pública havia registrado uma redução de 10,1% no Estado e de 13,8% na capital. 

Outros crimes. Tanto na cidade de São Paulo quanto no restante do Estado houve redução nos crimes de roubo em geral, furto e roubo de carga. O mês de maio registrou, em todo o Estado, 25.293 casos de assalto. O número é 11,04% menor do que de maio de 2014, que fechou com 28.433 casos de roubo.

O Estado viveu uma explosão neste tipo de crime de 2013 a 2015. Foram 19 meses seguidos de alta até a saída do ex-secretário de Segurança Pública Fernando Grella Vieira.

Nos furtos, houve uma diminuição de 8,43%, passando de 45.631 casos, em maio de 2014, para 41.783 em maio. Outra diminuição comemorada pelo secretário Moraes foi a redução na quantidade de roubo de automóvel. Em todo Estado, a queda foi de 28,5% e na capital houve uma diminuição de 31,64%. 

Por causa dos números que demonstram tendência de queda nos roubos a veículos, Moraes afirmou que tem se reunido com representantes de seguradoras. De acordo com ele, a secretaria tem apresentado índices positivos na tentativa de fazer com que as empresas diminuam o valor dos seguros, já que os índices usados pelo setor levam em conta justamente a quantidade de crimes. 

Ainda de acordo com ele, a secretaria alterou as formas de policiamento ostensivo e as investigações, integrando os trabalhos das polícias. “Fixamos metas, coordenação e integração entre as equipes.” 

Cargas. Um dos crimes que têm sido combatidos pela atual gestão da pasta é o roubo a cargas. Também houve diminuição neste tipo de delito em maio: redução de 8,68% no Estado e queda de 14,32% na capital. No entanto, quando são consideradas apenas as cidades da Grande São Paulo, houve uma elevação de 7,5%. Para Moraes, os resultados deste mês nos roubos de carga, mesmo com o aumento no recorte da região metropolitana, são para comemorar. 

Ele afirmou que, assim que assumiu a secretaria, solicitou um levantamento de todos os casos registrados nos últimos 10 anos, para identificar os padrões nos assaltos de carga, os locais onde os casos mais acontecem e mudar os procedimentos de combate a esse crime. 

Do total de roubos a carga no Estado, 54% dos crimes são na capital. São ocorrências que ele chama de “oportunistas” e que, geralmente, envolvem caminhões pequenos que são atacados durante entregas dentro dos bairros da capital. 

“Esse roubo se combate com uma alteração de policiamento, identificando os locais, os focos e os receptadores e fortalecendo o trabalho ostensivo da Polícia Militar”, disse. A Polícia Militar Rodoviária também recebeu novas orientações para combater os crimes nas estradas, onde as grande cargas - as mais valiosas - são roubadas por quadrilhas fortemente armadas.

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