Incêndio no Rio devasta 40 mil m² de morro

Bombeiros tiveram de usar água da Lagoa Rodrigo de Freitas; balão seria a causa

Talita Figueiredo / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

Fogo. Incêndio que consumiu vegetação do Morro dos Cabritos teria começado no sábado à noite, após queda de balão

 

Um incêndio atingiu cerca de 40 mil metros quadrados, o equivalente a quatro campos de futebol, da encosta do Morro dos Cabritos voltada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, uma área de proteção ambiental. O fogo, que teria sido causado pela queda de um balão, começou por volta das 22 horas de anteontem e assustou moradores do entorno. Ninguém ficou ferido, mas muitos saíram de suas casas na madrugada.

Os focos só foram apagados no fim da manhã de ontem. Usando caçambas içadas por dois helicópteros, Bombeiros de seis quartéis retiraram água da lagoa para apagar o fogo. O forte vento à noite e a baixa umidade do ar na cidade dificultaram os trabalhos e aumentavam a chance de haver novos focos. Ontem à tarde, apareceram labaredas na encosta do outro lado do morro, em Copacabana, e à noite, um foco foi identificado em uma área chamada de Chácara, perto de um condomínio de alto padrão.

De madrugada, o fogo podia ser avistado de pelo menos seis bairros da zona sul. Atingiu principalmente a encosta voltada para o bairro da Lagoa. No lado de Copacabana, próximo ao Hospital São Lucas, moradores capinavam a mata, com o objetivo de prevenir que a propagação do fogo não atingisse a unidade e outros imóveis vizinhos.

Plano. Pela manhã, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) visitou o parque da Catacumba, área de lazer na lagoa próximo ao local onde os bombeiros trabalhavam, e anunciou que hoje a Secretaria Municipal de Meio Ambiente colocaria em prática um "plano emergencial de reflorestamento na área atingida". Depois, ele sobrevoou a área atingida. "Quero chamar a atenção das pessoas sobre essa brincadeira sem graça que é soltar balões, porque devasta áreas verdes e põe em risco aeronaves. É crime soltar balões. Quero apelar para que as pessoas denunciem", disse.

O secretário Estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, acompanhou o trabalho dos bombeiros durante a madrugada e também criticou a prática de soltar balões. "É lamentável ver um cartão-postal atingido dessa forma, mas tenho certeza de que os órgãos de investigação competentes irão apurar as causas e punir os responsáveis com o rigor necessário", disse.

Policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente estiveram ontem no morro para começar a investigação sobre o incêndio. O Corpo de Bombeiros fornecerá laudos para ajudar na apuração das causas.

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