Incêndio no Cultura Artística destruiu piano de 100 mil euros

Diretores, críticos e especialistas lamentam a destruição em um dos teatros mais importantes de São Paulo

João Luiz Sampaio, de O Estado de S. Paulo,

18 de agosto de 2008 | 11h34

Após o incêndio que atingiu o Teatro Cultura Artística na madrugada de domingo, 17, os diretores da Sociedade de Cultura Artística não sabem quanto do acervo foi poupado - a princípio, fitas, programas e documentos não foram consumidos pelas chamas, mas podem ter sido danificados pela água usada para combater o incêndio. Mas os gastos materiais já se avolumam - além dos figurinos e cenários da peça O Bem Amado, o novo piano do teatro, adquirido no início do ano e que tem valor aproximado de 100 mil euros, também foi destruído no desastre. O Steinway Grand Concert - Modelo D foi tocado em abril pelo jovem Pablo Rossi e, um mês depois, por Nelson Freire.   Veja também:  Teatro Cultura Artística pode ir para outro lugar  Seguro do Cultura Artística não deve pagar prejuízo do incêndio  Turistas desavisados lamentam incêndio   É o fim de ''O Bem Amado'', diz Nanini   Cultura Artística, um mito da vida teatral brasileira   Repercussão do incêndio   "Foi uma notícia chocante. É uma pena, foi um teatro construído a duras penas e para reconstruí-lo não vai ser fácil. É assustador o fogo. Tenho ligação com a Cultura Artística a minha vida inteira e há uns 15 ou 20 anos sou o presidente. A Sociedade de Cultura Artística é uma instituição importante de São Paulo. Antes da construção do teatro, fazia-se concertos em salas diferentes da cidade. Esta semana vamos resolver o que fazer sobre o que ocorreu" - José Mindlin, presidente da Sociedade de Cultura Artística   "Sei que o Teatro Cultura Artística foi uma realização maravilhosa por parte de d. Esther Mesquita. Não se fez discriminação de nada, mas pensou-se, antes de qualquer coisa, na qualidade da programação. É uma perda terrível, inestimável, mas acredito que as pessoas de bom gosto vão reconstruí-lo, espero que tenham o bom senso de fazer isso. É um teatro de belíssima tradição que não pode desaparecer de uma hora para outra. A cidade de São Paulo não pode perder um teatro dessa qualidade, é uma obrigação de todo mundo trabalhar para resgatá-lo" - Sábato Magaldi, crítico teatral, ensaísta e professor   "Fiquei extremamente estarrecido quando soube do incêndio. O Teatro Cultura Artística presta um serviço inestimável para a música de concerto e para o teatro há muitas décadas. O teatro tem uma acústica incomparável, especial, já estive lá atuando como maestro diversas vezes. Faço votos para que o teatro seja reconstruído e volte logo a funcionar. O Municipal acolherá o concerto que ocorreria amanhã (hoje) no Cultura Artística" - Jamil Maluf, maestro, diretor do Teatro Municipal   "Fiquei desolada como todo mundo, ainda mais porque sou assinante da Sociedade de Cultura Artística. É um espaço que tem uma história, que tem uma relação importante com o teatro brasileiro desde a década de 1950, abrigou companhias importantíssimas. Além disso, é também um espaço precioso para a música erudita nessa cidade onde os espaços para a música são cada vez mais raros. Vamos com certeza nos mobilizar e reconstruir esse patrimônio muito importante para a cultura não apenas de São Paulo mas de todo o Brasil." - Maria Adelaide Amaral, escritora e dramaturga   "O Teatro Cultura Artística é um marco no Brasil e em São Paulo. A minha trajetória está muito ligada a esse palco. Tenho uma ligação muito forte com o teatro. Foi lá, em 1985, com 18 anos, que ganhei o Prêmio Eldorado. A finalíssima foi justamente na sala Esther Mesquita, agora destruída. Também foi no teatro que conheci o diretor da Juilliard School, de Nova York, que me ofereceu uma bolsa para estudar naquela escola. Atualmente, moro ali perto, na Praça Roosevelt, e consigo ver da minha janela o Cultura Artística. Hoje, no entanto, contemplei aquela devastação e foi uma sensação muito triste. O Cultura Artística não é apenas um teatro, ele tem alma, tradição, conteúdo e isso não se destrói, jamais. Ele precisa ser reconstruído naquela região culturalmente dinâmica e acredito até que ele pode se tornar um teatro melhor, mais moderno. É preciso, agora, olhar de forma otimista para o que aconteceu" - Roberto Minczuk, maestro, diretor do Teatro Municipal do Rio e da Orquestra Sinfônica Brasileira  

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