Incêndio mata 6 no Rio; 5 de brigada antifogo

Vítimas inalaram fumaça e foram encontradas sem máscaras em empresa em Duque de Caxias; sexto funcionário havia voltado em busca do carro

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2010 | 00h00

Seis homens morreram ontem em um incêndio no subsolo do prédio administrativo da Ciferal - fabricante de carrocerias de ônibus -, no distrito de Xerém, na cidade de Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Cinco vítimas eram integrantes da brigada antifogo da empresa - a sexta, o engenheiro e supervisor de produção Carlos Henrique Vieira, de 34 anos, fora tentar resgatar seu carro estacionado no local.

Segundo o coronel-bombeiro Valdinei Dias da Silva, comandante da operação de salvamento, as mortes aparentemente foram causadas por inalação de fumaça. Todas as vítimas foram encontradas pelos bombeiros sem máscaras protetoras.

As causas do incêndio ainda não foram determinadas, mas, para Silva, o fogo se espalhou por ter ocorrido em um espaço confinado, com apenas um acesso. O ambiente, relatou o bombeiro, "ficou tomado, com muita fumaça, não se conseguia ver um palmo à frente".

Em nota, a diretoria da Ciferal informou que no local funcionava apenas um estacionamento, "sem nenhuma atividade laboral", segundo o assessor José Carlos Secco. Ele não soube explicar a possível falta de máscaras. Empregados da fábrica, porém, declararam que no local funcionava um capotaria. A mesma informação foi passada ao comandante dos bombeiros.

O fogo, iniciado por volta das 8h15, foi debelado em 40 minutos pelos bombeiros que trabalharam com 38 homens, sete carros de diversos tipos, cinco ambulâncias e um helicóptero de socorro médico. Além de Vieira, morreram no local o ferramenteiro Marcelo Borba da Silva, os soldadores Edmundo Santos, Sérgio Correia e Sérgio Teixeira, e o gabariteiro (verificador dos gabaritos dos projetos) Edson da Silva Werneck. Sete pessoas ficaram feridas - duas permaneciam internadas no fim da tarde.

Adquirida pela Marcopolo em 2001, a Ciferal funciona no prédio que abrigou, nos anos 1950, a Fábrica Nacional de Motores (FNM). Ali trabalham 2,5 mil pessoas que no primeiro semestre produziram 2,8 mil ônibus.

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