Incêndio faz Viaduto Pompeia ser interditado

Fogo que comprometeu estrutura também queimou alegorias da Mocidade Alegre

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2012 | 03h01

Um incêndio no barracão de carros alegóricos da escola de samba Mocidade Alegre, sob o Viaduto Pompeia, na zona oeste de São Paulo, comprometeu ontem parte da estrutura do viaduto, que deve ficar interditado nos dois sentidos por tempo indeterminado. Nenhum dos cerca de 40 funcionários da escola que trabalhavam no local no momento do incêndio ficou ferido.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pede aos motoristas para evitar a região, e dá como rotas alternativas os Viadutos Antártica e Nagib Brein (da Lapa). A Prefeitura deve avaliar na manhã de hoje a gravidade dos danos e dizer quando o viaduto será liberado.

Segundo integrantes da escola, o fogo começou às 14h30, após uma equipe da Prefeitura que carpia o mato ao redor do viaduto atear fogo em uma colmeia. O fogo teria atingido uma parede do lado de fora do barracão e, em seguida, invadido o galpão. Como dentro dele havia tecido, madeira, isopor, resinas e colas - todos materiais altamente inflamáveis -, as chamas tomaram todo o complexo em minutos. A Prefeitura não confirma a informação.

"A gente estava embaixo de um carro alegórico e, quando vimos a fumaça, só deu tempo de sair correndo", conta o marceneiro Paulo Cesar de Oliveira, de 22 anos. A presidente da Mocidade, Solange Bechara, disse que o que queimou eram sobras de carnavais passados.

"A cidade do samba (complexo prometido pela Prefeitura para as escolas construírem seus desfiles) tem de sair. Não tem condição de continuar do jeito que está", disse Solange, ainda transtornada com o incidente no barracão. "O carnaval de São Paulo se tornou muito grande e, infelizmente, não temos estrutura."

Insegurança. O Corpo de Bombeiros criticou a organização do barracão. Foram necessários 60 homens, em 20 viaturas, para combater as chamas. Paredes de concreto construídas na base do viaduto tiveram de ser derrubadas, com ajuda de tratores emprestados de uma obra vizinha, para combater o fogo. O tenente-coronel Antônio Ferraz dos Santos, comandante do 3.º Grupamento de Bombeiros, disse que o interior do barracão não tinha corredores para a circulação de pessoas nem exaustores. Solange rebate: "Temos a maior preocupação com incêndios. Tem uma pessoa só para olhar os extintores toda semana", afirmou.

O incêndio fez cair parte da estrutura do viaduto. O diretor da Divisão Técnica de Obras de Arte da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, Rogério Achcar, disse que, preliminarmente, a estrutura estava comprometida e precisa de reparos antes de voltar a ser usada. A Prefeitura não disse, ontem, se a escola tinha alvará ou outra permissão para funcionar naquele lugar.

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