Incêndio faz HC cancelar mais de 3 mil consultas

Laboratório que funciona em prédio atingido pelo fogo volta a funcionar abaixo da sua capacidade

Solange Spigliatti, estadao.com.br

27 de dezembro de 2007 | 12h06

Mais de 3 mil consultas já foram canceladas por causa do incêndio que atingiu o Hospital das Clínicas de São Paulo, na noite do último dia 24, véspera de Natal. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o Laboratório Clínico do HC, que fica no prédio atingido pelo fogo, reabriu por volta das 11 horas desta quinta, mas ainda não opera com sua capacidade total. Após o incêndio, apenas 300 pessoas, das mais de 3 mil prejudicadas, já conseguiram remarcar suas consultas. Só casos de urgência, como as sessões de hemodiálise e quimioterapia, estão sendo atendidos, e a distribuição de medicamentos ainda está deficitária. Os pacientes que tinham consultas e exames agendados devem comparecer ao HC para remarcá-los ou ligar para os telefones 3069-6710, 3069-7048 e 3069-6246, onde os funcionários darão mais orientações para a remarcação. Um balanço geral de como foi o atendimento nesta quinta será divulgado no final da tarde. Sem investimento Reportagem do Estado de S. Paulo desta quinta-feira mostra que dos R$ 16,9 milhões orçados pelo governo estadual para obras de adequação, ampliação e aparelhamento do HC neste ano, 17,83% - R$ 3.013.281,00 - foram empenhados, de 1º de janeiro até 18 de dezembro. E R$ 2.667.806,00 (15,79%) foram realmente pagos aos prestadores de serviços ou em compra de materiais e equipamentos. Os dados constam do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo) da Secretaria da Fazenda. Esse dinheiro poderia ser gasto em equipamentos anti-incêndio, portas corta-fogo e outras melhorias. Desde 2005, o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), da Prefeitura, pede adequações no Prédio dos Ambulatórios, onde ocorreu na véspera de Natal um incêndio nas fiações do subsolo. Outras áreas do orçamento estadual registraram uma execução maior, como é o caso do fundo de melhorias das estâncias turísticas - que teve orçamento de R$ 141,8 milhões em 2007. Desse total, 32,96% - R$ 46,7 milhões - foram empenhados.  O HC, por ser uma autarquia, conta com autonomia para gerir o orçamento, mas o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, garante que toda a verba endereçada pelo Estado será usada nas próximas 48 horas - bastando para isso a finalização de algumas licitações. Os dados do Sigeo, segundo o secretário, estão errados porque o item do Orçamento que trata de manutenção está designado no elemento de despesa como conservação e manutenção de bens móveis e imóveis. "Estão previstos gastos de R$ 12,8 milhões, dos quais R$ 11,4 milhões já foram reservados. A previsão é de que, até sexta-feira, sejam gastos R$ 13,2 milhões." Segundo o secretário, o dinheiro para manutenção está em outra rubrica. "São R$ 15 milhões ao todo, sendo R$ 7 milhões para obras e R$ 8 milhões para equipamentos. Desse total, R$ 3 milhões estão empenhados e R$ 12 milhões reservados, ou seja, aguardam o final dos processos licitatórios. O dinheiro será gasto para a ampliação do Pronto Socorro (R$ 1,7 milhão) e do Instituto de Ortopedia e compra de equipamentos para o Instituto de Psiquiatria (R$ 5 milhões)." Especialistas, porém, contestam os valores. É possível fazer uma comparação com outro hospital, de porte menor e privado, o Santa Catarina. Ele está instalado na Avenida Paulista num prédio de 12 andares e investiu R$ 25 milhões em obras no ano de 2005. Só em equipamentos foram R$ 5 milhões. Para empenhar (reservar) dinheiro no orçamento estadual para o Hospital das Clínicas, é preciso ainda definir os vencedores de processos licitatórios abertos pelo Estado ao longo deste ano. Barradas diz que isso ocorrerá até sexta-feira. Mas as obras só poderão realmente ter início no próximo ano - e isso se não houver nenhuma interpelação judicial.  (Colaboram Eduardo Reina e Emílio Sant'anna, de O Estado de S. Paulo)

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