Incêndio em favela deixa 600 desabrigados

Ocupação, sob Viaduto Aricanduva, teve metade dos barracos atingidos; segundo bombeiros, ninguém ficou ferido e causa será investigada

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2012 | 02h03

Mais de 600 pessoas ficaram desabrigadas por causa do incêndio que atingiu ontem à noite a Favela Aracati, na Penha, zona leste de São Paulo. A Defesa Civil estima que cerca de 150 barracos tenham sido atingidos - aproximadamente 70% dos 1.500 m² do terreno. A favela está localizada sob o Viaduto Aricanduva e foi formada no terreno há pouco mais de um ano.

Ninguém ficou ferido, segundo o Corpo de Bombeiros. O incêndio começou por volta das 19h, e o fogo foi controlado às 21h. Foram necessárias 20 viaturas e mais de 100 homens entre bombeiros e policiais militares para controlar o fogo. A causa do incêndio ainda é desconhecida.

Um dos comandantes da operação, o capitão dos Bombeiros Adriano Martins, explicou que um das hipóteses é que tenha havido um curto-circuito. Um dos principais problemas que os bombeiros enfrentaram foi uma torre de transmissão de energia elétrica, em volta da qual os moradores haviam construído seus barracos. Assim que os bombeiros chegaram ao local, cortaram a energia da torre.

A situação ainda era confusa nas ruas do entorno da favela. Alguns andavam de um lado para o outro, tentando conseguir notícias de amigos e familiares, outros reuniam os pertences que tinham conseguido salvar. A diarista Regiane Lopes, de 40 anos, estava trabalhando em Santana, na zona norte, quando tudo aconteceu. Ela morava com a prima e os dois filhos e perdeu tudo que tinha. "Acho que vou dormir na rua, meus parentes moram todos muito longe daqui."

Algumas freiras que moram em uma casa anexa à Igreja do Rosário, a cerca de 1.200 metros do local do incêndio, apareceram para oferecer abrigo a quem não tinha para onde ir. "Estava em casa rezando meu rosário e vi a fumaça", disse um delas que levou quatro pessoas para a casa onde mora com cinco freiras.

A dona de casa Aiandra Benigno, de 18 anos, perdeu tudo. "Só consegui salvar meu filho e meu cachorro. Nem identidade eu tenho." A mãe dela, a diarista Marlene Pessoa, de 45 anos, que mora no Parque Novo Mundo, foi ao local para ajudar. A filha, o neto e o genro iriam passar a noite com ela. "Eu quase perdi a minha filha, porque foi muito rápido", disse Marlene.

Com o RG protegido dentro de uma Bíblia, Maria Severina Barbosa, de 78 anos, foi uma das que ajudou a salvar uma montanha de roupa, uma geladeira e fogão que estavam no meio da rua. "Queimou um monte de barraco, mas onde ficava a igreja evangélica não queimou, porque Deus não deixou", afirmou.

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