Incêndio em favela da zona norte deixa dois mortos

Bombeiros tiveram dificuldades de acesso e maior parte da ocupação ficou destruída; suspeita-se de curto-circuito na fiação

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h05

Um curto-circuito em uma fiação é a causa apontada como mais provável para o incêndio que deixou dois mortos e destruiu ao menos 60 barracos e a maior parte da Favela do Corujão, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Segundo os moradores, as chamas começaram por volta das 7h15 de ontem e se alastraram rapidamente pelas construções de madeira. O Corpo de bombeiros chegou ao local por volta das 8h, com 24 viaturas e 70 homens, mas só conseguiu controlar a situação às 10h30.

Segundo o coordenador-geral da Defesa Civil do Município, coronel Jair Paca de Lima, um morador informou ter visto o rastilho de fogo vindo de uma fiação próxima de seu barraco. O calor, a baixa umidade do ar e o vento teriam facilitado a dispersão do fogo, conforme a Defesa Civil.

O tenente Daniel Luiz Sobral relatou que quase todas as moradias atingidas já estavam no chão quando as viaturas dos bombeiros chegaram. A localização da favela, com muros na frente e atrás, dificultou o trabalho, e foi preciso quebrar paredes para jogar água. A estimava é que o número de barracos atingidos possa chegar a 100, com 410 pessoas desabrigadas. Segundo Paca, 4 mil dos 5 mil metros quadrados do terreno, que fica no cruzamento da Rua João Veloso Filho com a Avenida Guilherme, teriam sido incendiados.

Eletropaulo. Parte dos barracos está ao redor de torres de transmissão da AES Eletropaulo, cujos linhões passam sobre a favela. A empresa informou que desligou parte deles, mas que a energia não foi cortada para os moradores do bairro. Quanto à posse do terreno, diz que tem apenas parte dele e, até dezembro, não registrava ninguém morando em sua área. A Prefeitura não informou se o terreno pertence a outros proprietários.

No começo da tarde, o clima na Favela do Corujão era de desalento. Famílias inteiras que haviam perdido as casas esperavam na calçada pelos trabalhos dos bombeiros, que atuavam no rescaldo. Em meio ao solo ainda em brasa, moradores se arriscavam para recolher o que sobrou, principalmente botijões de gás.

Guardas civis metropolitanos (GCM) e famílias que estão acampadas nas calçadas da Avenida São João, na região central de São Paulo, entraram em confronto na manhã de ontem. Ao menos sete pessoas ficaram feridas. Cerca de 230 famílias estão no local, próximo do cruzamento com a Avenida Ipiranga, desde quinta-feira. Elas foram retiradas de um prédio na Avenida São João, na altura do número 628, após reintegração de posse.

De acordo com a Frente de Luta por Moradia, mais de 300 guardas fecharam a rua às 6h com o objetivo de retirar as pessoas e os objetos do local. Eles usaram bombas de efeito moral e spray de pimenta. Em nota, a Secretaria de Segurança Urbana informou que líderes se opuseram à desocupação e colocaram as pessoas em risco, incluindo crianças. /GISELE TAMAMAR

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