Incêndio em dois prédios em SP deixa 46 feridos

Estado de homem de 70 anos e criança é grave; edifícios tinham vistoria vencida

FELIPE TAU, LAURA MAIA, MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2013 | 02h04

Um incêndio atingiu ontem de madrugada uma unidade da academia Smart Fit e dois prédios na esquina das Avenidas Ipiranga e Rio Branco, na República, centro de São Paulo, e deixou 46 pessoas feridas. Um homem de 70 anos que teve 15% do rosto queimado e uma criança estavam internados em estado grave até as 21h de ontem. A academia não tinha licença de funcionamento e os prédios também estavam com a vistoria contra incêndio vencida.

"Foi horrível, as crianças estavam chorando, muito assustadas. Tivemos muito medo", disse o comerciante peruano Marco Antonio Ghuarancca, de 35 anos, que morava no prédio da Rio Branco. O peruano teve de alugar um quarto na tarde de ontem depois de ter o apartamento que alugava há seis meses destruído. Com a mulher grávida de oito meses e três filhos, ele conseguiu descer do 9.° andar com a ajuda dos bombeiros.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Jair Paca, a maioria dos moradores é de origem chinesa, peruana e boliviana. Assim como Ghuarancca, eles não quiseram ficar em abrigos da Prefeitura. "Os moradores preferiram ficar na casa de parentes e amigos ou alugar quartos em hotéis aqui perto."

O Corpo de Bombeiros informou inicialmente que o fogo teria começado na Smart Fit, que fica no térreo do prédio comercial na Avenida Ipiranga. O delegado Newton Santos Costa, do 3.° DP (Campos Elísios), no entanto, trabalha com outras possibilidades.

"Provavelmente, o fogo não começou na academia, mas prefiro esperar o laudo", disse o delegado. "A perícia não foi concluída, uma vez que estava muito quente e ainda havia risco de desabamento." O delegado ouviu testemunhas e o advogado da Smart Fit durante a tarde.

Documentação. A empresa afirma que fez o pedido de Auto de Licença de Funcionamento, que está "em tramitação". No entanto, a Prefeitura afirma que o documento é necessário para qualquer estabelecimento comercial entrar em atividade.

O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou ontem inquérito civil que pode responsabilizar a Prefeitura pelo incêndio, além dos proprietários da academia. O promotor de Habitação e Urbanismo, Maurício Antonio Ribeiro Lopes, salienta que as subprefeituras fazem a fiscalização das documentações de estabelecimentos comerciais. "É inaceitável que esta academia com 23 filiais esteja funcionando sem qualquer fiscalização."

O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que será aberto um processo de investigação na Prefeitura "para saber se houve falha de algum procedimento ou se houve simplesmente má-fé ou culpa do proprietário ou locatário".

Os dois prédios também estavam com os Autos de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) vencidos. Segundo a corporação, a academia teve o documento negado em março em razão de irregularidades na segurança contra incêndios. O edifício residencial não havia nem pedido a renovação.

Segundo os bombeiros, o auto da academia foi negado porque a empresa fez uma reforma, alterando a planta. Antes da academia, inaugurada nesta semana, o local era um cinema e um estacionamento. Em nota, a empresa diz que as instalações estavam equipadas com sistema de combate a incêndio.

"Em relação ao AVCB, sua emissão está a cargo do proprietário do imóvel, que compreende também o edifício comercial adjacente", afirma a academia, que estima um prejuízo de mais de R$ 4 milhões por causa dos danos causados pelo incêndio.

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