Incêndio destrói favela e deixa 350 famílias desabrigadas em SP

Área de 2 mil metros quadrados no bairro do Jaguaré, na zona oeste, foi devastada pelo fogo

Edson Veiga, Cristiane Bomfim e Daniela do Canto,

11 de outubro de 2009 | 18h58

Área de cerca de 2 mil metros quadrados ficou totalmente devastada pelo fogo. Foto: Filipe Araújo/AE

 

SÃO PAULO - Um incêndio destruiu, no início da noite deste domingo, a Favela Diogo Pires, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, queimando mais de 100 barracos em uma área de 2 mil metros quadrados e desabrigando 350 famílias. Segundo o Corpo de Bombeiros, pelo menos duas pessoas ficaram intoxicadas pela fumaça. Uma indústria química que fica ao lado da favela foi isolada pelos bombeiros por causa do risco de explosões. As causas do fogo, que começou por volta das 17h40 e só foi controlado 2h30 depois, são desconhecidas, mas os moradores alegaram ter ocorrido um curto-circuito.

 

O Corpo de Bombeiros foi chamado às 17h50. Por volta das 19h30, o fogo parou de se alastrar. Além da indústria química, outra preocupação dos bombeiros era um conjunto habitacional, também vizinho da favela. Nem a fábrica nem os prédios foram atingidos.

 

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), que esteve na favela, afirmou que havia um projeto da Prefeitura para a desocupação da área. Parte das famílias, segundo ele, já estava cadastrada por programas sociais da administração municipal.

 

Bombeiros tentam controlar as chamas na favela Diogo Pires. Foto: Filipe Araújo/AE

 

Segundo os Bombeiros, apenas 5% da área de dois mil metros quadrados da favela escapou de ser atingida pelas chamas. Três pessoas foram socorridas no Pronto Socorro  da Lapa: uma criança, nervosa com o fogo, um homem que teve uma convulsão e um morador que sofreu uma queda quando ajudava no combate às chamas com uma mangueira. Pouco antes, os bombeiros haviam informado que eram dois os socorridos, ambos por intoxicação provocada pela fumaça.

 

A Defesa Civil iria até o local na noite desta domingo para atender os desabrigados, que seriam levados para abrigos da Prefeitura. Os moradores esperavam o atendimento nas entradas da favela.

 

No entorno, o cenário era desolador. Famílias em pânico tentavam salvar o que podiam. Crianças choravam. A movimentação era constante. Nas ruas, acumulavam-se pilhas de roupas, eletrodomésticos e imóveis. "Perdi tudo o que tinha", diz a doméstica Josefa Pires Barbosa, de 33 anos, mãe de quatro filhos pequenos. "Só salvei os meus filhos."

 

 

O pedreiro Jorge Chagas, de 39, relatou que viu quando o fogo começou. "Duas crianças tentaram apagar com água. Não conseguiram e o fogo tomou conta de tudo. Só deu para salvar a máquina de lavar roupas e o micro-ondas."

 

O ajudante-geral Reinaldo Abreu da Silva, de 20 anos, também perdeu tudo. "Quando o fogo começou, eu corri para ajudar a tirar as crianças dos outros barracos. Saí só com a roupa do corpo." Ao lado de outros vizinhos, ele guardava um espaço na rua com cadeiras, roupas e objetos pessoais dos que salvaram algo.

 

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