Incêndio deixa SP sem trens e afeta 390 mil

Problema ocorreu em prédio que controla a operação da CPTM, que parou por 4 horas

BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h06

Um incêndio no prédio que controla a operação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) obrigou que os funcionários deixassem o local ontem, por volta das 13h. Em consequência, pela primeira vez na história, todas as linhas de trens da Grande São Paulo tiveram de ser paralisadas. A paralisação começou às 13h e a circulação só retornou às 17h30. Cerca de 390 mil pessoas usam a CPTM no horário - 1,3 milhão, em média, durante todo o sábado.

O único trecho que escapou da pane foi entre as Estações Tamanduateí e Rio Grande da Serra, na Linha 10-Turquesa (que atende o ABC), cujo controle é feito na Estação da Luz. Embora a CPTM tenha acionado o Paese (um plano de emergência em que ônibus substituem os trens), não havia coletivos suficientes para dar conta de tanta gente. Setenta e nove (de 89) estações da rede foram fechadas. A São Paulo Transporte (SPTrans) informou ter colocado 108 ônibus para ajudar os passageiros, a pedido da CPTM.

A pane afetou principalmente moradores da Região Metropolitana que aproveitam o sábado para fazer compras ou passear em São Paulo. Na Estação Brás, por exemplo, no centro, milhares de passageiros, cheios de sacolas com compras, ficaram perdidos, sem saber o que fazer. "Nunca precisei vir para cá de ônibus. Para voltar para casa, vou ter de andar até o metrô, depois pegar o ônibus até o Terminal Sacomã e, lá, achar um outro coletivo que chegue até Mauá. Vai demorar umas duas horas", disse a secretária Olinda Rezende Conte, de 52 anos.

A confusão, no entanto, foi generalizada. Em Pinheiros, zona oeste, passageiros que desciam da Linha 4-Amarela de metrô encontraram as catracas para transferência fechadas e avisos que os ônibus para Osasco, partindo do Butantã, na zona oeste, não eram grátis. Pessoas se amontoavam nas muretas laterais do prédio. "Só dizem que está parado. Não falam quando volta, se tem ônibus. Vou ficar aqui, esperando", disse a estudante Dayse Milene Pires, de 17 anos.

Incêndio. Segundo o gerente de engenharia e obras da CPTM, José Augusto Bissacot, o incêndio foi no sistema nobreak de iluminação do prédio do Centro de Controle Operacional (CCO), que fica na Estação Brás.

"É um conjunto de baterias e outros equipamentos", argumentou o gerente. O sistema serve para manter a eletricidade em caso de falta de energia e fica no andar térreo - o CCO fica no primeiro andar.

Os bombeiros foram chamados para conter o fogo. "Tinha muita fumaça", afirmou Bissacot. Embora, segundo a CPTM, nenhum equipamento ligado ao controle dos trens tivesse sido afetado, o prédio teve de ser esvaziado - não podia ficar ninguém para supervisionar o CCO.

Quatro equipes do Corpo de Bombeiros foram até o CCO e permaneceram lá até as 15h. Bissacot afirmou que a demora no reestabelecimento das operações se deu porque, por precaução, todos os sistemas elétricos tiveram de ser desligados e foi preciso avaliar os danos antes de a circulação dos trens voltar.

Uma comissão de segurança vai investigar as causas do incêndio e propor alternativas para evitar que o episódio se repita. A CPTM terá, por obrigação legal, que fazer um boletim de ocorrência sobre o caso na Polícia Civil - investigadores chegaram a visitar o prédio e seus arredores ainda antes do fim da pane, por volta das 16h15.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.