Ricardo Nogueira/Efe
Ricardo Nogueira/Efe

Incêndio de grandes proporções atinge empresa em Santos

Segundo o Corpo de Bombeiros corporação, o fogo começou por volta de 10h e está fora de controle; região tem bloqueios no trânsito

Luiz Alexandre Souza Ventura , Especial para o Estado de São Paulo

02 Abril 2015 | 11h37

Atualizado às 19h.

Os quatros tonéis com etanol e gasolina que estão em chamas desde 10h desta quinta-feira, 2, em Santos, litoral sul de São Paulo, estão desabando, o que provoca o surgimento de enormes bolas de fogo, assustando quem está próximo do local. O pátio da empresa Ultracargo fica na área industrial da Alemoa. O incêndio atinge quatro tanques, cada um com capacidade para armazenar 6 mil metros cúbicos de combustível, o equivalente a 6 milhões de litros.

O fogo começou após uma forte explosão, por volta de 10h desta quinta-feira, 2, e está contido na área da empresa, mas as labaredas continuam muito altas. A coluna de fumaça pode ser vista de vários pontos da cidade e também de outros municípios da Baixada Santista. 

O trabalho é bastante complexo, conforme explicações do porta-voz do Corpo de Bombeiros, Capitão Marcos Palumbo, por causa da alta temperatura, o que provoca evaporamento da água antes que ela atinja o local incendiado. Desta forma, a estratégia é manter o resfriamento, com auxílio de uma espuma especial, e aguardar que todo o combustível armazenado seja consumido pelo fogo, o que pode durar entre dois e quatro dias, segundo o Comando da Polícia Militar na Baixada Santista.

Aproximadamente 80 homens dos bombeiros e 35 viaturas, sendo oito da capital paulista e do ABC, estão no local - na Rua Engenheiro Augusto Barata, s/n -, além de viaturas do SAMU, Defesa Civil, Sabesp, Polícia Militar e da Brigada de Incêndio da Guarda Portuária. A embarcação Governador Fleury, destinada a combater incêndios nos Portos de Santos e São Sebastião, ajuda nos trabalhos, bombeando água do mar para os caminhões. O trabalho de resfriamento também é feito no pátio da empresa Stolt, que fica ao lado.

Segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), cinco navios atracados da Alemoa foram retirados pela Praticagem e estão na Barra de Santos, aguardando autorização para retornar. A Codesp afirma que o Porto de Santos funciona normalmente. Chegou a circular a informação de que a Capitania dos Portos havia suspendido a navegação em todo o Porto, mas a Codesp não confirma e destaca que somente na região da Alemoa o movimento está interrompido, o que não afeta os restante dos terminais.

A Prefeitura de Santos informou que o SAMU atendeu 15 pessoas no local, todos homens com superaquecimento. "Não é queimadura. Isso acontece porque as vítimas são funcionários da área industrial da Alemoa, usam roupas pesadas, sofrem alterações na pressão arterial e aumento na temperatura corporal", diz a administração santis, em nota. Ainda conforme a Prefeitura, crise nervosa e inalação de fumaça também foram registradas nos pacientes. Todos atendidos no local e liberados. No Pronto-Socorro Central de Santos, três pessoas foram atendidas com crise nervosa medicadas e liberadas.

A Ultracargo é uma das maiores empresas de tonéis líquidos do Brasil. No pátio de estocagem de hidrocarbonetos - produtos altamente inflamáveis -, são 50 tanques com vários tipos de combustíveis e produtos químicos. Ainda não há confirmação sobre quais produtos estão armazenados nos tanques incendiados e nem sobre a quantidade guardada em cada um deles. A assessoria de imprensa da Ultracargo informou que está elaborando uma nota com todas as informações técnicas sobre a área.

Também em nota, a Ultracargo afirma que todos os funcionários da empresa no pátio da Alemoa foram retirados. E diz ser prematuro especular sobre as causas do incêndio. Embora os bombeiros tenham informado que o fogo está fora do controle, a companhia diz que o incêndio está contido dentro da área da empresa e atinge quatro tanques.

Foi a própria Ultracargo quem acionou o plano de auxílio mútuo das indústrias de Cubatão, também na Baixada Santista. Logo após o alerta, um caminhão-tanque foi enviado pela Refinaria de Cubatão, contendo seis mil litros de líquido gerador de espuma, quatro técnicos em combate a produtos químicos foram para o local e outras indústrias enviaram equipes próprias.

O trânsito permanece bloqueado em vários pontos da região. De acordo com a concessionária Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, o acesso ao Porto de Santos pelo Viaduto da Alemoa, no km 64 da Via Anchieta, está bloqueado. E também está fechada a Avenida Augusto Barata, chamada de Reta da Alemoa. Há congestionamento na rodovia do km 62 ao 65, em direção ao litoral.  

Para evitar que o tráfego fique completamente parado na Via Anchieta, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos permitiu a entrada de caminhões pela Avenida Martins Fontes, na entrada da cidade, o que é proibido em situações normais. Os veículos pesados seguem até a primeira saída e acessam a Rua Cristiano Ottoni.

Quem viaja para a Baixada Santista neste momento deve usar a Imigrantes e acessar as saídas no km 55 (local chamado de 'pé de galinha') para cidades do litoral norte e do litoral sul, logo após o último túnel. No km 62 da Imigrantes, a saída para a Anchieta está fechada e o motorista precisa seguir até a cidade de São Vicente. Há lentidão no começo do trecho de serra da Imigrantes, no sentido Praia Grande, entre os kms 40 e 43, na região de São Bernardo do Campo, e congestionamento do km 63 ao 65, no trecho de São Vicente.

Para a saída de Santos, agentes da CET fecharam a pista sentido São Paulo da Anchieta e os motoristas precisam seguir pela Avenida Nossa Senhora de Fátima e acessar a Linha Amarela, em São Vicente, para chegar à Rodovia dos Imigrantes.

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