José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Incêndio atinge mais de 300 hectares nas serras do Japi e dos Cristais

Área queimada equivale a 400 campos de futebol; fogo na Serra do Japi está controlado, mas avança sem controle na Serra dos Cristais

José Maria Tomazela , O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 17h05

JUNDIAÍ - Grandes frentes de fogo consumiram pelo menos 320 hectares de matas nas serras do Japi e dos Cristais, na região de Jundiaí, interior de São Paulo. A área já queimada equivale a quatrocentos campos de futebol. Na tarde desta terça-feira, 14, a Defesa Civil de Jundiaí informou que o fogo, na Serra do Japi, estava controlado. Na Serra dos Cristais, porém, as chamas continuavam avançando sem controle, favorecidas pelo calor e o tempo seco.

Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros de Jundiaí, Cabreúva e Pirapora do Bom Jesus tentam evitar que o fogo atinja áreas habitadas. Na serra, próximo de Cabreúva, a frente de fogo atingia pelo menos dez quilômetros e alcançava a parte mais densa da mata. Já foram queimados cerca de 250 hectares.

De acordo com o comandante da Defesa Civil de Cabreúva, Tiago Magri, sem condições de dar combate direto às chamas, os bombeiros tentavam evitar que o fogo atingisse casas em áreas de ocupação irregular no bairro Bananal, interior na serra. "Há risco para esses moradores e estamos pedindo que saiam da rota do fogo."

A Defesa Civil pediu a ajuda de um helicóptero Águia, da Polícia Militar, mas até o início da tarde todas as aeronaves estavam ocupadas no atendimento a outras ocorrências. 

Na Serra do Japi, o fogo consumiu 70 hectares, segundo a Guarda Municipal de Jundiaí. Os donos de uma granja com 14 mil frangos de corte tentaram ajudar no controle das chamas, mas ficaram sem água. De acordo com a Divisão Florestal da GM, os três grandes focos, um deles na região do Colégio Agrícola, próximo do aeroporto, já foram controlados. Os bombeiros, porém, continuam fazendo o rescaldo no Morro da Baleia, onde restam pequenos focos. A fumaça ainda encobria bairros rurais e deixava enevoada uma parte da cidade de Jundiaí. 

A GM acredita que os incêndios foram criminosos e pediu que a população informe atitudes suspeitas ou a soltura de balões. Na manhã desta terça, a prefeitura criou um comitê para cuidar da Serra do Japi enquanto durar a estiagem.

Os primeiros focos de incêndio apareceram no fim de semana. De acordo com bombeiros de Jundiaí, há suspeita de que alguns focos se iniciaram a partir da soltura de balões durante as comemorações do Dia da Padroeira do Brasil, domingo.

Com 354 km² de área, coberta com remanescente da Mata Atlântica, a Serra do Japi é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) do Estado desde 1993. A Serra dos Cristais faz parte da mesma cadeia montanhosa.

Inpe. Entre a manhã de segunda-feira e a terça, 232 novos focos de incêndio foram detectados no Estado por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desde janeiro deste ano, foram registrados 4.307 focos em São Paulo, mais que o dobro dos registros em todo o ano passado, quando foram detectados 2.055 focos. De acordo com o Instituto, o tempo seco favoreceu o aumento no número de incêndios. Os satélites detectam queimadas com frentes de fogo a partir de 30 metros de extensão por 1 metro de largura.

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