JF Diório/Estadão
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Incêndio atinge favela no Brás, na região central de São Paulo

Chamas foram causadas por briga de casal e destruíram 90 barracos; morador foi linchado e precisou de escolta policial

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 14h23

Atualizada às 20h15

SÃO PAULO - SÃO PAULO - Um incêndio atingiu uma favela na Rua 21 de Abril, no Brás, região central de São Paulo, no início da tarde desta sexta-feira, 10. De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, duas pessoas ficaram feridas e 90 das cerca de 120 famílias da comunidade ficaram desabrigadas. De acordo com a Polícia Militar um briga de caso deu início ao incêndio em um dos barracos. 

Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas começaram por volta das 13h50 e a corporação levou uma hora para conter o incêndio. 16 viaturas foram enviadas até o local. Duas pessoas se feriram, segundo os bombeiros, quando tentavam fugir do local. 

"Foi uma briga de casal e durante a discussão eles acabaram colocando fogo no barraco. Não sei se ele, ou a esposa", explicou o coronel da Polícia Militar, Celso Luiz Pinheiro, comandante do policiamento na região central de São Paulo. De acordo com ele, o marido foi linchado por moradores, colocado dentro de uma viatura e levado para o Pronto Socorro do Hospital do Tatuapé. Após ser medicado ele foi levado para o 8º DP (Brás). A mulher fugiu. 

Além do homem que foi agredido uma mulher teve ferimentos leves. Apenas dez barracos de concreto que ficam em uma das laterais não caíram após o incêndio. Mas a Defesa Civil afirmou que os barracos serão demolidos porque as estrutura ficaram comprometidas. 

"Esses imóveis estão condenados e não podem mais ser habitados. Vamos permitir, em alguns deles que ainda têm alguns objetos de uso pessoal, que os proprietários possam retirar os documentos", afirmou Milton Roberto Persoli, coordenador e comandante da Defesa Civil da Prefeitura de São Paulo. 

Os barracos estavam em um terreno dividido em quatro lotes, sendo que três particulares e outro do órgão estadual Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). Procurada, a companhia confirmou ser dona de alguns lotes no terren. "A área é destinada à construção de moradias de interesse social para atender famílias de baixa renda que moram ou trabalham na região central da cidade. Após  invasão  do  terreno,  a Companhia entrou com ação de reintegração de posse e aguarda decisão judicial", afirmou a CDHU.


Dia das crianças. Moradora da favela há oito anos, a líder comunitária Ana Xavier, de 42 anos, foi aos prantos após descobrir que a festa programada para o Dia das Crianças no próximo domingo foi totalmente comprometida. Ela passou últimos cinco meses tinha arrecadando os R$ 1.119 e mais de 500 brinquedos. "Ontem mesmo eu tinha contado todos os moradores para saber como distribuir os brinquedos. Andei por toda a região para arrecadar o dinheiro e os brinquedos. Tudo virou cinzas", disse. 

Morador dos fundos da comunidade e cadeirante, o ambulante João Cláudio Moreira, 43 anos, também perdeu todos os panos de prato e artigos eletrônicos que vendia na região do Brás. "Foi tudo muito rápido. Se a minha mulher não estivesse em casa para me carregar eu poderia estar morto", afirmou. 

No final da tarde equipes da Secretaria Municipal de Assistência de Desenvolvimento Social da Prefeitura estavam cadastrando os moradores. De acordo com Evandro Reis, subprefeito da Mooca, os desabrigados serão encaminhados para centros de acolhida da Prefeitura. 

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