Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

Incêndio atinge favela na zona leste e deixa uma pessoa morta

O corpo da vítima ainda não foi identificado; é o segundo caso em comunidades carentes da região de Sapopemba em uma semana

Felipe Resk e Fernando Arbex, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 07h45

Atualizado às 14h50

SÃO PAULO - Um incêndio atingiu a Favela Promorar do Jardim Rio Claro, localizada na Travessa Joaquim Baston, em Sapopemba, na zona leste da capital paulista, e uma pessoa morreu carbonizada na madrugada desta quinta-feira, 9. O fogo já foi contido pelo Corpo de Bombeiros.

O fogo começou por volta das 2h, informou a Polícia Militar, e as suas causas ainda são desconhecidas. Também de acordo com a PM, o corpo foi encontrado pelos bombeiros durante o trabalho de combate ao fogo, mas ainda não foi identificado. O corpo foi removido por volta de 10h10.

De acordo com moradores, os bombeiros trabalharam rapidamente para conter as chamas e deixaram o local em seguida.

A Defesa Civil estima que 39 famílias tenham sido atingidas, mas, até as 9h45 desta quinta-feira, 26 cadastros foram feitos. O incêndio atingiu parte do pátio 1 da comunidade, que tem seis pátios.

Durante a manhã desta quinta-feira, na área incendiada, havia uma viatura da PM e outra Guarda Civil Metropolitana (GCM). Vários curiosos, incluindo crianças, foram à favela para ver os destroços do incêndio.

A Defesa Civil entregou aos moradores atingidos pelo incêndio kits emergenciais, que incluem colchões, itens de limpeza e alimentos. Por questão de logística, não foi oferecido café da manhã às famílias, mas a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) prometeu servir almoço.

Até as 10h desta quinta-feira, nenhuma pessoa foi deslocada para um abrigo. "No ato do cadastro, a Defesa Civil questiona se a pessoa precisa de abrigo. Até o momento, todos falaram que vão para casa de amigos ou familiares", afirmou o coordenador operacional da Defesa Civil, Nelson Suguieda. 

Desabrigados. Sentada em um banco da Travessa Joaquim Baston, a doméstica Maria de Lourdes Santos de Oliveira, de 54 anos, ainda tentava entender o que havia acontecido. Diabética, ela precisou ser socorrida em um posto de saúde logo após escapar do incêndio. "Quando acordei a casa era só fumaça, o fogo subiu muito rápido.  Com a roupa que eu estava,  saí", disse.

Da casa, nada restou. Além da mobília e dos eletrodomésticos, Maria de Lourdes perdeu todos os documentos. Nem o que, eventualmente, poderia ter se salvado das chamas ela conseguiu recuperar, contou. "As pessoas passaram antes e levaram tudo." 

Outro desabrigado é o ajudante geral José Evanildo, de 43 anos. "Até meus passarinhos morreram no incêndio: dois canários brancos e dois coleirinhas", contou com voz embargada.

Entre os moradores, a sensação é de desnorteio. Muitos ainda não dormiram nem sabem quando e onde vão conseguir. "Eu não tenho planos, não sei se vou limpar o terreno. O problema é que, se a gente deixar assim, outro vem e invade como se não tivesse dono", afirmou a auxiliar de embalagem Edineide Rodrigues, de 28 anos.

Já a ajudante geral Carolina Paiva, de 20 anos, está decidida. "De uma coisa eu tenho certeza: não volto para cá nunca mais. Me salvei e salvei meu filho de 6 anos por pouco. Na próxima vez, pode ser que não dê tempo."

Recorrência. Em uma semana, é a segunda vez que uma comunidade da região é atingida. No dia 1º de outubro, a comunidade Famílias da Juta, onde moravam 205 famílias, foi destruída por um incêndio que deixou um morto. Há cerca de um mês, outra comunidade na zona sul, a Favela do Piolho, também foi incendiada, deixando cerca de 500 famílias desabrigadas.

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