Divulgação/Corpo de Bombeiros
Divulgação/Corpo de Bombeiros

Incêndio ameaça saúde da população e meio ambiente

Fumaça tem concentração de dióxido de enxofre acima da indicada e qualidade do ar está ruim; moradores temem chuva ácida

LUIZ ALEXANDRE SOUZA VENTURA, ESPECIAL PARA O ESTADO / SANTOS, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2015 | 02h01

Dos seis tonéis que armazenam combustíveis, atingidos pelo incêndio que começou na quinta-feira no pátio da empresa Ultracargo, em Santos, litoral sul paulista, dois ainda permaneciam em chamas ontem. Agora, a principal preocupação é com possíveis danos ao meio ambiente e à saúde da população.

"A qualidade do ar está muito ruim. Na página da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) na internet, a qualidade do ar na região do incêndio está classificada como N3-Ruim", diz o meteorologista Ivan Gregório Hetem.

Segundo o especialista, a fumaça é mais preocupante do que uma possível chuva ácida. "A fumaça que está sendo inalada na área do incêndio tem concentrações de SO2 (dióxido de enxofre) muito acima das recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. O limite é 40 e o verificado lá é maior do que cem. A melhor providência é se afastar do local", diz.

O dióxido de enxofre é formado a partir da queima da gasolina. É o mesmo gás expelido pelo escapamento de veículos só que, neste caso, em menor quantidade. Em ambas as situações, ele se transforma em ácido sulfúrico ao reagir com a umidade do ar.

A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, esteve no local do incêndio anteontem e falou sobre possíveis penalidades à Ultracargo. "Existe uma legislação estadual. E também é possível aplicar o Decreto Federal n.º 6.514. A multa chegaria a R$ 50 milhões, mas aplicação depende de uma análise mais detalhada."

Medo. Moradores estão apreensivos e o temor é fortalecido por especulações, principalmente nas redes sociais. O maior receio é sobre uma possível chuva ácida. "Ela faz mal à saúde. Por isso, deve-se evitar a exposição. Em uma chuva forte, a nuvem carregada vem de outro lugar e desaba. Como as gotas são grandes, dão uma espécie de 'abraço' no ácido, que é diluído e empurrado para o solo. E o ar fica limpo", diz Hetem. Segundo o meteorologista, porém, a concentração de ácido é maior em uma chuva fraca.

De acordo com o meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento, a previsão para as próximas 36 horas na Baixada Santista é de chuva com baixa intensidade. "Há uma frente fria no Sul do País que avança na direção do Sudeste, que também deve provocar vento moderado."

Em Santos, por enquanto, está descartada a possibilidade de retirada dos moradores das imediações do terminal da Ultracargo. "Os produtos químicos que poderiam causar dano à população já foram retirados dos tanques próximos do incêndio. E foram isolados", afirma o coordenador da Defesa Civil estadual e chefe da Casa Militar do Estado, José Roberto Rodrigues Oliveira.

Segundo ele, existem planos de emergência e de contingência com todas as medidas necessárias em caso de acidentes como esse. "Todos os órgãos envolvidos estavam totalmente preparados, caso houvesse risco de vazamento de fumaça tóxica na atmosfera, para remover aproximadamente 400 pessoas da Alemoa."

Segundo a Cetesb, na sexta-feira, foram registradas mortes de peixes no canal do estuário da Alemoa. A companhia minimizou o incidente, sem explicar os motivos. Segundo a prefeitura de Santos, a situação está em análise e um laudo será emitido em breve. De qualquer forma, a população foi orientada a não consumir pescados.

Acesso bloqueado. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) vai bloquear, a partir da 0 hora de hoje, a descida de caminhões pela Rodovia Anchieta com destino à margem direita do Porto de Santos, por causa do incêndio em tanques de combustíveis da empresa Ultracargo, que interdita desde a quinta-feira passada o Viaduto Alemoa, única via de acesso ao local.

O bloqueio será feito no km 40 da Anchieta, no início do trecho de serra, e vai funcionar até que o incêndio seja totalmente controlado pelo Corpo de Bombeiros.

O objetivo, segundo a Artesp, é evitar congestionamento de caminhões e bloqueios das pistas na chegada a Santos. O acesso à margem esquerda do porto continua liberado pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni, assim como o acesso à Rio-Santos e ao Guarujá. Cerca de 12 mil caminhões descem a Anchieta por dia com destino ao porto.

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