Inauguração da estação Butantã é marcada por protestos e atrasos

No evento, Alckmin disse que em maio deve ser feita pré-qualificação para licitar Linha 6-Laranja

Pedro da Rocha, Estadão.com.br

28 Março 2011 | 14h33

SÃO PAULO - A estação Butantã, na Linha 4-Amarela, da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) foi inaugurada na manhã desta segunda-feira, 28, sob protestos e atrasos. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo levou faixas contra a Parceria Público-Privada (PPP), feita para a construção do ramal. Algumas pessoas foram à estação para pegar o trem no horário de abertura, às 8 horas - como anunciado no site do Metrô -, mas a inauguração atrasou e as portas só foram abertas às 10h25. O governador Geraldo Alckmin, presente no evento, lembrou ainda que pretende expandir a Linha 4 até Taboão da Serra, como foi antecipado com exclusividade pelo Estado de S. Paulo em janeiro deste ano.

 

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Muitas pessoas chegaram mais cedo à estação para pegar o primeiro trem, das 8 horas. Cerca de 30 delas esperavam em frente à entrada da estação, às 8h05, e algumas ficaram revoltadas quando descobriram que a inauguração estava marcada para as 9 horas. O arquiteto de teste Tiago Baldim, que aguardava para ir ao trabalho, era um dos que se indignaram. "Entendo que eles tenham que fazer a inauguração com a presença dos políticos, mas que isso seja feito sem atrapalhar a população." Ele não aguardou a chegada das autoridades e tomou um ônibus para a próxima estação, a Faria Lima. O Estadão.com.br foi informado, pela assessoria de imprensa do Metrô, da mudança de horário apenas no domingo, 27, às 16h.

 

O presidente do Sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior, que protestava, junto com colegas e estudantes do Movimento Passe Livre, criticou o atraso na entrega da estação - inicialmente prevista para 2006. Ele disse ainda ser contra as PPP e o uso do sistema "driverless", que permite a operação dos trens sem condutor, usando sistema informatizado, presente nos novos trens da Linha 4.

 

Após viajar no primeiro trem em circulação da estação, que saiu às 10h30 e demorou 6 minutos para chegar na estação Paulista, o governador Geraldo Alckmin enalteceu a ampliação da Linha Amarela, mas admitiu que a rede metroviária da cidade de São Paulo ainda é insuficiente. "No Metrô, estamos com 70,9 km, o que é pouco. O ideal é o dobro disso, no mínimo." Elem do governador, estiveram presentes no evento o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, e o ex-governador de São Paulo, José Serra.

 

A estudante de Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo (USP), pegou o trem da estação para ir embora da faculdade - a nova estação terá um ônibus circular que fará a integração com a USP. Ela disse que está feliz com o tempo que irá economizar na viagem, mas reclamou do horário de funcionamento inicial, das 8h às 15h. "Tenho que entrar na Universidade às 7h30, ou seja, por enquanto está estação servirá apenas para minha viagem de volta para casa".

 

 

Com extensão total de 12,8 quilômetros e 11 estações, a Linha 4-Amarela está sendo implantada em duas etapas: a primeira inclui seis estações: Butantã, Faria Lima e Paulista, já abertas, Pinheiros, República e Luz, ainda não inauguradas, além da operação do pátio de manutenção Vila Sônia. Os trens da linha têm passagem livre entre carros (salão contínuo) e ar-condicionado. A demanda prevista para a primeira etapa (Butantã - Luz) é de 700 mil passageiros por dia.

 

Brasilândia. O governador informou ainda que em maio deve ser feita a pré-qualificação do projeto de construção da Linha 6-Laranja, que liga a zona noroeste ao centro da capital. A pretensão é que as obras sejam iniciadas ainda neste ano. O governo cogita ainda a ampliação do ramal até o Anália Franco para desafogar a quantidade de usuários na Linha 2-Verde, criando um ramal das universidades, passando pela Freguesia do Ó, Água Branca, Perdizes e Mooca.

 

Fraude. O governador disse também que nesta terça-feira, 28, tem início a abertura dos envelopes das empresas para a construção da Linha 5-Lilás, cujos lotes de 3 a 8 foram alvo de suspeita de fraude no processo licitatório. A partir de então, de acordo com Alckmin, os consórcios vencedores terão uma semana para se manifestarem e, num prazo de 20 dias, o Metrô irá decidir se abre uma nova licitação para o projeto.

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