Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Império de Casa Verde traz a Revolução Francesa para o Sambódromo do Anhembi

Com um enredo politizado e um desfile luxuoso, a escola abordou a luta do povo contra as regalias da nobreza

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2018 | 01h53

Com um enredo politizado e um desfile luxuoso, a Império de Casa Verde usou a Revolução Francesa, em 1789, para falar da luta do povo contra as regalias da nobreza e incluiu no seu samba um clamor que se popularizou no Brasil nos últimos anos: "vem pra rua".

A agremiação da zona norte paulistana, vizinha do Anhembi, foi a segunda a passar pelo sambódromo neste último dia de desfile do Grupo Especial e não economizou nos detalhes das fantasias e das alegorias para tentar seu quarto título (foi campeã em 2005, 2006 e 2016).

A Império começou mostrando a opressão do Estado absolutista francês com uma guilhotina cortando a cabeça de um passista da comissão de frente. No carro abre-las, o "Reino das regalias" exibia as desigualdades entre a nobreza e o povo, chamado de "nobreza real" no samba-enredo.

O ponto alto do desfile foi na passagem da quarta alegoria, que representava a "Tomada da Bastilha", momento central da revolução, quando o povo tomou a fortaleza usada como prisão pelo Estado e decretou o fim do Absolutismo francês. Um grande elefante à frente representava a força popular.

No último carro, o tigre guerreiro, símbolo da escola, representava a ascensão popular, enquanto o samba-enredo entoava que o "sangue azul é a cara do povo", em referência a cor da agremiação. "O trabalho que a Império fez o ano todo se confirmou na avenida. É um povo vencedor", disse o carnavalesco Jorge Freitas.

A apresentadora Lívia Andrade, destaque da bateria da Império, correu para os passistas ao fim de desfile e foi comemorar com a comunidade. Em geral, as famosas saem da dispersão logo no fim do desfile, sem participar da festa. "Foi sensacional. O melhor protesto que já vi na vida", disse, aos berros, enquanto era abraçada pelos colegas.

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