Impactos sociais da obra estão em segundo plano

Não há alternativas para que uma obra como a do Rodoanel não cause impactos. Porém, a avaliação não pode ser considerada só na faixa imediata de implementação. Haverá dano ambiental, transformação na estruturação da cidade e alterações no valor e uso do solo. Os estudos precisam se dar em uma perspectiva integrada de planejamento urbano, e não apenas setorial. Esse conjunto de impactos não é visto na sua totalidade. Os estudos não podem se referir apenas à obra, devem prever também a compensação de sua operação futura e a manutenção das compensações realizadas.

Euler Sandeville, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2011 | 00h00

As questões sociais têm discussão menos ampla do que o necessário. Chama a atenção que uma obra desse porte e com esse grau de alteração na estrutura urbana e ambiental da metrópole priorize o transporte rodoviário, deixando o transporte público totalmente à parte. As remoções de famílias configuram um dos principais desafios. São feitas de forma desvinculada do problema da habitação. Temos encontrado na região que deve dar lugar ao Trecho Norte muita gente que será removida pela terceira vez por causa de obras públicas. A maioria tende a ocupar novas áreas em assentamentos precários. Sendo uma ação governamental, é inaceitável que seja reduzida a uma questão de remoção, é ainda uma questão de habitação e qualidade de vida. O governo e as empresas veem apenas um número de afetados e soluções em escala. Mas falamos de pessoas que enfrentam o drama real dessas obras em suas vidas.

PROFESSOR DA FAU-USP E PESQUISADOR DO LABORATÓRIO ESPAÇO PÚBLICO E DIREITO À CIDADE

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