Impacto na pesca pode ser significativo

Local previsto para a construção do porto é apontado como o mais importante da baía para produção do camarão

O Estado de S.Paulo

23 Março 2014 | 02h01

Uma das principais exigências feitas pelo Ibama à Mar Azul para autorizar a construção do porto foi a realização de um levantamento mais detalhado sobre os impactos do projeto nas atividades de pesca local.

Segundo biólogos, a Baía da Babitonga é um importante berçário de vida marinha. Suas águas calmas e protegidas - que fazem dela um local tão cobiçado para a construção de portos - são usadas como área de reprodução por dezenas de espécies, cuja preservação é vital não só para a pesca artesanal no interior da baía, mas também para a pesca industrial do lado de fora.

"Isso aqui é uma maternidade; muitos peixes vêm desovar aqui", diz o pescador aposentado Adenir Correia de Mello, de 62 anos, que é contrário à construção do terminal. A pescaria mais afetada, segundo ele, seria a do camarão. "O melhor lugar de pesca do camarão na baía é justamente onde eles querem colocar o porto", diz.

O local proposto para a construção é um ponto afastado da cidade e cercado de manguezais. A pesca seria proibida nas imediações. "É uma área que vai fazer muita falta para o pescador", diz o presidente da colônia de pesca de São Francisco do Sul, Antonio Pedro de Oliveira, de 63 anos. Ele diz que "pode ser a favor" do porto, "desde que ajudem os pescadores".

"Quem não é a favor do porto é quem não quer trabalhar", diz um morador, identificado como Ari. Segundo ele, são os próprios pescadores que destroem a biodiversidade da baía, pescando fora de época e acima do limite. "O porto não vai afetar a pesca em nada. Em qualquer lugar dá para pescar camarão."

José Dias, um publicitário aposentado de 76 anos, terá de se mudar de sua casa, vizinha ao local de construção do porto. Mas não se importa. "O juiz disse que vai me dar uma casa lá fora; a casa que eu quiser, é só escolher", afirmou, sem explicar depois quem era o juiz. /H.E.

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