Heitor Hui/AE
Heitor Hui/AE

Imóvel tombado muda plano de parque

A Fazenda Biacica foi descoberta no meio do traçado do Várzeas do Tietê; ontem, governo conseguiu empréstimo de US$ 115,7 mi no BID

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

No meio do caminho daquele que é chamado pelo governo estadual como o "maior parque linear do mundo" havia paredes de taipa e azulejos portugueses que provocaram uma mudança de planos no projeto do Parque Várzeas do Tietê.

Por causa de um imóvel tombado em 1994 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o governo do Estado foi obrigado a incluir o sítio histórico da Fazenda Biacica nos futuros equipamentos que farão parte do local.

Como não havia o registro do imóvel tombado pelo Município, a previsão inicial era de que a Fazenda Biacica, uma edificação do século 17, fosse demolida e tivesse o mesmo fim de centenas de imóveis localizados ao longo de 75 km das áreas de várzea do Tietê que serão transformadas em parque linear, com a recuperação de matas ciliares e remoção de famílias.

"A previsão inicial era derrubar o imóvel para recuperar a área. Agora, vamos trabalhar para preservá-lo e fazer o parque nascer já com esse lado histórico", afirma o engenheiro Maximiliano de Aguiar, coordenador da Unidade de Gerenciamento do Projeto Tietê do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (Daee).

Localizada no distrito de Jardim Helena, extremo leste da capital, a Fazenda Biacica teve o valor cultural e ambiental reconhecido pelo Conpresp nos anos 1990, mas historicamente já havia merecido menção de Mario de Andrade em 1937, segundo registros da Prefeitura.

Na entrada, o imóvel tem um conjunto de árvores e palmeiras imperiais. Acima da porta principal, com cerca de 3 metros, está gravada a data de 1682. Na parede externa da Fazenda Biacica, painéis de azulejos portugueses mostram dois momentos da Historia do Brasil: a chegada dos portugueses a São Paulo, em 1532, e índios sendo catequizados pelos jesuítas, em 1554.

"Tivemos uma grata surpresa quando fizemos o mapeamento e nos deparamos com a casa tombada. O parque vai contribuir para a sua preservação", acredita o engenheiro do Daee.

Verba. Ontem, dois anos após ser lançado, o governo do Estado assinou um contrato de empréstimo de US$ 115,7 milhões (cerca de R$ 200 milhões) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a construção da primeira etapa do parque linear, da barragem da Penha, na zona leste da capital, até a divisa com Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

A previsão é terminar a primeira etapa até 2016, com a instalação de núcleos de lazer, ciclovias e agora um sítio histórico.

A previsão inicial do governo do Estado era remover 5 mil famílias das áreas de várzea, algumas ocupadas há mais de 30 anos. "Essa recomposição do parque é uma solução estrutural no combate a enchentes. Piscinão, o próprio desassoreamento do rio e diques urbanos são obras mitigatórias", diz o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Diques. O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, anunciou ontem que a verba suplementar para a construção dos quatro pôlderes ao longo da Marginal do Tietê foi liberada e hoje seria publicado edital para a licitação de dois deles. Os outros dois farão parte de outra licitação, cujo edital deve ser lançado no início da próxima semana.

O prazo para a construção segue sem alterações: verão de 2013. Inicialmente, o governador Geraldo Alckmin havia prometido essas obras já para o próximo verão.

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