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Imagens põem policiais na mira da Corregedoria

Registro do Google Street View de dois agentes do Denarc com usuários de drogas na Cracolândia será usado em investigação

Artur Rodrigues e Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2014 | 02h01

A Corregedoria da Polícia Civil investiga agentes do Departamento de Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) que teriam sido flagrados pelo Google Street View com usuários de droga na Cracolândia. A suspeita é de que a dupla teria envolvimento com o tráfico na região. O Ministério Público Estadual (MPE), por sua vez, pretende apurar a incursão da Polícia Civil que gerou tumulto e atrito político.

A imagem congelada foi encaminhada pelo Denarc à Corregedoria. O agente estaria na Alameda Barão de Piracicaba, a mesma onde aconteceu o confronto anteontem entre policiais do departamento e viciados.

"Seria um policial identificado e o parceiro dele apareceria meio que desfocado no fundo", afirmou um dos policiais da Corregedoria envolvidos na investigação. De acordo com ele, a imagem não mostra o homem traficando. Porém, o ponto em questão é de tráfico.

Agora, o órgão pretende tratar as imagens para descobrir se as pessoas são, de fato, dois policiais. Também será apurado se eles não estavam no local a trabalho, envolvidos em alguma operação.

Segundo a Corregedoria, a denúncia apareceu depois da ação que terminou em confusão anteontem. Os agentes foram até o local para averiguar uma denúncia de abuso de autoridade por parte do Denarc. O denunciante foi preso na operação.

Inquérito. O MPE abriu inquérito para saber se houve irregularidades na ação. "O que nós queremos é apurar exatamente, a exemplo do que fizemos no primeiro episódio (em janeiro de 2012), se houve algum excesso da polícia em relação às comunidades que vivem na Cracolândia", disse o promotor Maurício Ribeiro Lopes, de Habitação e Urbanismo. A investigação também será feita pelos promotores Arthur Pinto Júnior, de Justiça, Direitos Humanos e Saúde Pública, e Luciana Bergamo, de Infância e Juventude.

Lopes lembrou que uma decisão da 7.ª Vara da Fazenda Pública definiu que a polícia não poderia submeter usuários de drogas a "situações vexatórias". Na ocasião, a medida foi tomada para impedir as chamadas "procissões do crack", quando viciados eram dispersados continuamente pela PM.

A sentença prevê uma multa de R$ 10 mil. Além disso, segundo Lopes, os agentes podem ser responsabilizados se for comprovado que houve truculência. "As imagens mostradas indicam que não foi uma ação marcada pela discrição", disse ele.

A diretora do Denarc, Elaine Biasoli, afirma que a atuação do departamento na região é "rotineira". Ela também definiu a ação como "legítima" e negou o uso de balas de borracha.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, porém, disse ter visto policiais com armas que disparam cartuchos de borracha e vítimas feridas relataram ter sido atingidas por esse tipo de munição.

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