Reprodução/TV Globo
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Imagens mostram policiais agredindo folião em bloco de SP

Publicitário foi cercado e atacado por agentes, que foram afastados das funções neste domingo. Medidas legais estão sendo tomadas, diz vítima

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2019 | 22h26

SÃO PAULO - Imagens divulgadas na noite deste domingo, 10, pela TV Globo mostram o momento em que cinco policiais cercam e ao menos um deles agride um folião durante um bloco de pós-carnaval neste sábado, 9, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A vítima, o publicitário Guilherme Kieras, de 29 anos, ficou ferido e relatou em redes sociais que foi perseguido e levado para uma rua afastada, onde foi agredido até com cassetetes.

A gravação mostra cinco policiais segurando o homem e o colocando entre viaturas estacionadas. Ao menos um soco parte do policial e o restante da cena não é possível visualizar. Kieras disse que tudo começou quando, em razão da chuva, tentou se abrigar na mesma marquise em que estavam os policiais, na Avenida Marquês de São Vicente. Ele foi impedido, segundo conta, e se dirigiu a uma árvore próxima.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

E assim foi o final do meu bloco neste último sábado. Fui na companhia de alguns amigos no bloco Largadinho, na Barra Funda. Estava muito feliz pois sou fã da Claudia Leitte e tudo estava muito leve e descontraído. Quase no final do circuito, uma chuva muito forte começou, obrigando o público a procurar por abrigo. Tentei com um amigo me abrigar embaixo de uma marquise na Avenida Marques de São Vicente, onde um grupo de policiais militares se protegiam e fomos impedidos, um dos policiais informou que não podíamos ficar ali, sem questionar saímos e andamos mais alguns metros, nos alojando embaixo de uma árvore próxima dessa marquise, onde não havia ninguém e fiquei abraçado com ele para me proteger do frio, nisso um policial começou a gritar dizendo que ali também não podíamos ficar, eu questionei porque não havia motivo aparente para não poder, fomos em seguida perseguidos por 4 a 5 PMs que nos batiam com cassetetes, chegando a me perseguir na rua, me levar a força para uma rua afastada, onde levei socos, chutes e fui desacordado por uma mata-leão. A última coisa que lembro antes de perder a consciência foi de pedir para não morrer, e segundos após acordar, me recordo de pedir pra ir embora. Fui chutado para a rua, onde, sangrando muito pela boca e rosto, saí em busca de ajuda. O que mais me dói não é o que passou comigo, mas é saber que essa é a realidade de milhares de jovens brasileiros, que dependem desses profissionais despreparados e desequilibrados. Precisamos de segurança, de respeito, e, principalmente, de mais amor no coração. Tá difícil...

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"Nisso um policial começou a gritar dizendo que ali também não podíamos ficar, eu questionei porque não havia motivo aparente para não poder, fomos em seguida perseguidos por 4 a 5 PMs que nos batiam com cassetetes, chegando a me perseguir na rua, me levar a força para uma rua afastada, onde levei socos, chutes e fui desacordado por uma mata-leão", relatou. "A última coisa que lembro antes de perder a consciência foi de pedir para não morrer, e segundos após acordar, me recordo de pedir pra ir embora. Fui chutado para a rua, onde, sangrando muito pela boca e rosto, saí em busca de ajuda", completou.

Ao Estado, a Secretaria da Segurança Pública confirmou o afastamento dos envolvidos "até a conclusão das investigações". "A Polícia Militar informa que, assim que tomou conhecimento das imagens, instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar toda a ocorrência", declarou a corporação em nota. "Mais de 10 mil policiais militares estiveram nas ruas da capital paulista neste fim de semana para garantir a segurança dos foliões e o cumprimento da lei. A PM não compactua com desvios de conduta de seus agentes e este episódio, que não representa o trabalho da corporação, será rigorosamente apurado."

"Fazemos um escândalo e lutamos com fogo nos olhos. O afastamento dos policiais é apenas o início. Todas as medidas legais estão sendo tomadas. Vamos lutar em nome de todos os que sofrem com isso diariamente e não têm voz!", acrescentou o publicitário em nova postagem.

Na semana passada, o Estado mostrou que policiais militares usaram bombas e balas de borracha contra foliões no mesmo bairro, deixando ao menos três pessoas feridas. As vítimas relataram que o bloco do qual participavam já tinha se dispersado e poucas pessoas permaneciam nas ruas da região quando foram surpreendidas pela ação, que classificaram como truculenta. Ao pedir providências no batalhão depois de ser ferida, uma mulher foi ameaçada por um policial militar, que disse que não tinha "cerimônia para quebrar cara de mulher" . O agente foi afastado e o governador Doria (PSDB) reconheceu o excesso.

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