Imagens internas de escola mostram professora agredindo alunos de 3 e 4 anos

Cenas da docente atingindo menina com pote e batendo a cabeça de outra criança na mesa foram parar na internet; gravação é de 2014, mas professora foi demitida apenas após divulgação

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 18h33

SOROCABA - Imagens de vídeo mostram uma professora tratando com violência crianças de 3 e 4 anos na Escola Municipal Ângelo Carana, em Catanduva, região norte do Estado de São Paulo. Nas cenas, que foram parar em redes sociais, é possível ver a professora atingindo a cabeça de uma menina com um pote, batendo a cabeça de outra criança na mesa, dando tapas e puxando o cabelo dos alunos. Ela ainda força um deles a comer até vomitar e arrasta outro pelo cabelo para fora da sala.

As imagens foram gravadas em agosto de 2014 pelo sistema de monitoramento instalado na escola, mas a professora só foi demitida nesta quarta-feira, 15, depois que as cenas foram divulgadas. De acordo com a Secretaria da Educação, a demissão ocorreu após a conclusão de um processo disciplinar.

A  mãe de um aluno, Luciana do Carmo Garcia Vale, conta que seu filho de 4 anos relatou em casa as agressões que sofria na escola, mas as providências contra a professora não foram tomadas de imediato. Luciana contou que seu filho não queria mais ir à escola, perdeu o interesse que tinha pelo desenho e começou a ter medo até de ir ao banheiro sozinho.

"Quando ele pediu para dormir comigo, vi que havia algo errado." Aos poucos, o filho contou que ele e os colegas apanhavam da professora. Luciana, que também é professora, procurou a colega, mas ela negou as agressões e disse que adorava a criança. "Só que, no outro dia, ela fez tortura psicológica com ele, disse que era fedido e não desenhava bem."

 

A mãe exigiu que as imagens das câmeras fossem verificadas e disse ter encontrado resistência. "Fui até o prefeito (Geraldo Vinholi, do PSDB), aí soube que o departamento jurídico tinha aberto um processo administrativo." A professora foi transferida e passou a trabalhar na secretaria de outra escola.

Procedimento. De acordo com a Secretaria de Educação, assim que houve a denúncia, a professora foi afastada e todos os procedimentos foram tomados para proteção dos alunos e dar à servidora o direito de defesa previsto em lei.

As crianças estão recebendo atendimento psicológico, segundo a prefeitura, e não há indícios de sequelas. A prefeitura destaca que a comprovação dos fatos só foi possível porque as escolas de ensino básico do município têm sistemas de monitoramento e o governo apura em sindicância interna se houve possíveis erros na condução do processo administrativo.

A Polícia Civil informou ter aberto inquérito para apurar as agressões. Além da requisição das imagens, foram pedidos exames e perícia técnica para confirmar a violência. Dependendo dos laudos, a mulher pode responder por crimes que vão de maus tratos à tortura, segundo a polícia.

Procurada, a professora não retornou as ligações. O conteúdo do perfil pessoal da professora no Facebook foi retirado.

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