JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Imagens indicam que piloto de helicóptero com Boechat tentou pouso de emergência, diz professor

Segundo o especialista, hipótese mais provável é que falha no motor principal ou no sistema hidráulico; veja vídeo do momento da queda

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2019 | 01h14

SÃO PAULO - As imagens divulgadas até o momento indicam que o piloto realizava um pouso de emergência em uma das vias da Rodovia Anhanguera no momento do acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, segundo o coordenador de Engenharia Aeronáutica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Luis Henrique Santos. Na queda da aeronave na segunda-feira, 11, morreram o apresentador da Band e o piloto, Ronaldo Quattrucci. 

Segundo o especialista, um piloto somente faz um pouso de emergência naquelas condições quando não tem mais controle da aeronave, pois o indicado é pousar no local mais plano e desabitado possível. Além disso, a "curva" feita pouco antes de chegar ao solo também indica que Quattrucci tentou "ajustar para o pouso".

"Aquele helicóptero é extremamente robusto, não é comum apresentar falhas", afirma. De acordo com Santos uma falha pode ter origem no projeto e na manutenção.

 

O professor acredita que a falha pode ter ocorrido no motor principal, o que impacta na hélice maior da cabine. Outra hipótese é que o problema ocorreu no sistema hidráulico, o que dificulta que o enrijece o sistema de comando. "Fica muito mais difícil controlar o helicóptero."

O professor considera que o choque com o caminhão foi o elemento que impediu o pouso de ser bem sucedido. "O piloto deve ter visto que havia pedágio perto e pensou que os veículos não estariam em alta velocidade, o que tornaria menos arriscado."

Ele ressaltou ainda que, para os padrões da área, a aeronave, uma Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, não é considerada ultrapassada, mesmo sendo de 1975, desde que seja feita a manutenção correta.  A aeronave tinha capacidade para cinco lugares, estava com a declaração anual de inspeção de aviação válida até maio deste ano e com o certificado de aeronavegabilidade válido até maio de 2023, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). 

O equipamento pertencia à empresa RQ Serviços Aéreos Especializados, cuja sede fica no Tatuapé, zona leste, com frota de quatro aeronaves especializada em filmagens, fotografias e reportagem. A companhia não tinha aval para o transporte remunerado de passageiros, segundo a Anac. Quattrucci, que morreu no desastre, era sócio-proprietário da empresa. Anac, Aeronáutica e Polícia Civil investigaram o que provocou a tragédia. 

FAB e Polícia investigam causas do acidente

A polícia de São Paulo e a Força Aérea Brasileira (FAB) investigam os motivos para a queda do helicóptero em que estava o jornalista Ricardo Boechat. Na parte policial, as investigações se concentram no 46º Distrito Policial (Perus), no qual foram ouvidos o motorista do caminhão atingido pelo helicóptero e a testemunha Liliane Rafael da Silva. 

Nesta terça-feira, 12, a concessionária CCR entregou imagens de uma câmera de segurança que mostram o momento da queda, quando a aeronave perde altura rapidamente. Segundo o delegado titular do 46º DP, Luis Roberto Faria Hellmeister, o vídeo indica que a queda deve ter sido motivada por falha técnica. A princípio, não serão ouvidas novas testemunhas.

Um laudo será elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à FAB. Em nota, o órgão informou que os destroços do helicóptero foram encaminhados para análise no Parque Aeronáutico de São Paulo.

Na segunda-feira, investigadores do Cenipa foram ao local da queda para realizar uma “ação inicial da ocorrência”, em fez fotografias, retirou de partes da aeronave, reuniu documentos e ouviu testemunhas. “A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo Cenipa terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade do acidente."

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