''Imagens fortes ficaram daquele caos em 67''

Gabriel Manzano, Jornalista do "Estado"

, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2011 | 00h00

Era um domingo nublado, meu dia de folga, e eu só tinha ido à redação do Jornal da Tarde procurar companhia para almoçar. Mal entrei e um aflito chefe de reportagem me apontou o dedo: "Gabriel, tromba d"água em Caraguatatuba! Fale já com o Geraldinho!" Adeus, almoço. Naquele início de tarde de 19 de março de 1967, eu e o fotógrafo Geraldo Guimarães partimos para uma intensa e inesquecível viagem.

Chovia forte quando subimos no helicóptero e o piloto já foi avisando que não sabia onde iria pousar. Dizia-se que a cidade havia afundado, que não dava para chegar nem sair... E eu, um redator principiante, fui em frente com a calma dos desinformados.

Nas 15 horas seguintes vi de tudo. Chuva, frio, lama, corpos, árvores nos telhados, choro, um prefeito descabelado e falador. Histórias soltas que fui anotando em papel molhado e no escuro. Imagens fortes me ficaram daquele caos em 67: caixões atravessando, em roldanas, um largo rio rumo ao cemitério. Uma enorme lua prateada brilhando na lama, à noite. No dia seguinte, o JT mandou uma turma de peso prosseguir a cobertura. Meses depois, ela lhe valeria um Premio Esso.

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