Imagens flagram grupo de extermínio

Polícia Civil investiga participação de PMs em execuções em Guarulhos; câmeras registram assassinato de suposto integrante do PCC

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2013 | 02h06

A Polícia Civil obteve imagens gravadas por uma câmera de segurança que flagraram o grupo de extermínio formado por policiais militares de Guarulhos em ação assassinando Alexandre Evangelista Jorge, o Ratinho. Suspeito de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), Ratinho era o bandido mais procurado da cidade desde que executara com vários tiros Ismael Alves dos Santos, do 44.º Batalhão da PM. O Estado teve acesso às imagens.

A morte do policial aconteceu em 5 de setembro. Ele foi alvejado no tórax e no braço por dois homens que estavam em uma motocicleta. Eles entraram no mercado da família do policial e o mataram. O fato provocou o recrudescimento da guerra entre bandidos e policiais. Desde então, o extermínio não parou.

Ratinho estava com amigos na Rua Ibitiba, no Jardim Donizete, na noite do dia 29 de setembro. A rua estava lotada de jovens. De repente, a câmera de um comércio flagra Ratinho correndo em direção a seu carro. Ele abre a porta e manobra.

Aos poucos, vários homens se aproximam a pé. Eles chegaram em um Celta prata e em um Golf. Uma Meriva ultrapassa o carro de Ratinho pela esquerda e o fecha. Pela direita, chegam dois homens em uma moto. Outros a pé ajudam a cercar o alvo. É quando descem da Meriva dois homens, que começam a atirar em Ratinho. Ele dá marcha a ré, mas não escapa.

Calibres. O suspeito de matar o PM Santos é assassinado com tiros de pistolas calibres 380 e 9 mm e de espingarda calibre 12. Seu carro fica crivado de balas. Trinta disparos lhe acertam seu corpo. Testemunhas contam que reconheceram quatro policiais do 31.º Batalhão entre os matadores. Com os homens do 44.º e do 15.º Batalhões, eles teriam montado um grupo de extermínio suspeito de 23 execuções desde junho, com 35 mortos e 17 feridos.

A PM abriu dois inquéritos. Ela concluiu a apuração de outros sete casos com nove mortos e quatro feridos e indiciou policiais como autores. Em outros 20 inquéritos, há indícios de envolvimento de PMs.

Depois do assassinato de Ratinho, o bando teria matado Wellington Rocha da Silva, de 24 anos, também suspeito de matar o PM. Ele foi morto com tiros na cabeça, no tórax e na perna em sua Hilux. Um outro homem ficou ferido. Os matadores fugiram em um Civic.

Em outro crime, em 26 de janeiro, dez pessoas foram baleadas - três morreram - após uma delas se desentender com seguranças de um mercado, entre eles um PM. Matadores não pouparam nem uma criança de 6 anos, que ficou ferida na chacina. Segundo testemunhas, os assassinos usaram pistolas de calibre 40 com mira à laser.

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